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quarta-feira, 2 de janeiro de 1980

Belo Horizonte



BELO HORIZONTE


QUARTA-FEIRA

Feriadão de 4 dias. Destino: Belo Horizonte, capital do Estado de Minas Gerais.

No passado, bandeirantes que procuravam ouro e pedras preciosas se estabeleceram pela região onde hoje se encontra a grande capital mineira. Surgiu ali uma fazenda chamada “Cercado” e depois o povoado “Curral Del Rei”. Por ser um lugar muito agradável, foram surgindo outras fazendas e o povoado foi se desenvolvendo. Nessa época, a capital do Estado era a cidade de Ouro Preto. Com a proclamação da República, surgiu a ideia de retirar a capital de Ouro Preto. Depois de pesquisas, Curral Del Rei foi escolhido. Iniciou-se o planejamento e depois as construções objetivando abrigar 200 mil habitantes. Portanto, uma cidade planejada, inspirada em Washington, nos EUA. Largas avenidas, praças e um moderno sistema de transportes. Foi assim que em 12 de Dezembro de 1897, na Praça da Liberdade, aconteceu a festa de inauguração da então Cidade de Minas. Somente em 1901 é que recebeu o nome de Belo Horizonte.

Bem, retornando ao planejamento da viagem: pesquisa daqui, dali e o melhor e mais viável era o transporte por ônibus. Assim embarcamos na quarta-feira às 20h45, véspera de feriado. O ônibus lotou.


QUINTA-FEIRA

Chegamos por volta das 5h30. Adeus madrugada e bom dia linda manhã ensolarada. Então fomos procurar o guichê para comprarmos as passagens para Inhotim (FOTO). Depois de algumas informações sobre o endereço do hotel, que bem próximo da rodoviária, seguimos para guardar nossas mochilas. Feito isso retornamos para rodoviária e aguardamos até as 8h30, que seria o horário de saída do ônibus, com retorno para às 16h30.




Mais de uma hora de viagem e chegamos à Inhotim, localizado no centro de Brumadinho. Logo na entrada um enorme estacionamento para muitos carros e ônibus. Assim seguimos em uma pequena caminhada por um acesso bem arborizado e bonito até a bilheteria. Compramos os ingressos, pegamos um mapa do parque, recebemos uma breve explicação e seguimos nosso passeio. Logo já se percebe que o lugar é uma imensidão em área verde e existem muitas coisas para visitar, inclusive contando com lojas, restaurantes, lanchonetes, obras de arte a céu aberto, galerias de arte, diversas obras de artistas renomados no Brasil e no exterior, cinco lagos ornamentais, projeto paisagístico realmente diferenciado, instalações sonoras, piscina representando uma agenda telefônica e muito mais.

Tudo muito lindo. Nosso almoço foi um “lanchinho”.

Um lugar interessante, visitado já no final do passeio, é onde ficam vários tijolos em formato de letras, todos jogados em um gramado onde as pessoas costumam escrever seus nomes para tirarem fotos. Mas servem também para as crianças plantarem mudinhas de plantas.

Às 16h30, iniciou-se o retorno para BH. Porém, algo inusitado aconteceu: logo após a saída do parque, um grande congestionamento. Tudo por conta da Procissão de Corpus Christi (uma comemoração cristã) na cidade de Brumadinho. Então, o ônibus teve que desviar o percurso. E nesse desvio como a cidade tem muitas ladeiras, subindo, foi preciso fazer uma curva fechada à esquerda. Por pouco o ônibus não tombou. Todos os passageiros se assustaram e gritaram. Ufa!!! Que medo!

Desembarcamos em BH faltando alguns minutos para às 18h. A noite já se fazia presente. Bem, apenas com o lanchinho e sem almoço, imagina só a fome. Dá rodoviária, direto procurar algo para jantarmos. Porém, quase nenhum lugar aberto, pois era feriado. Caminhando, chegamos à Praça Sete de Setembro e, logo em frente, uma pizzaria aberta e com preços ótimos. A pedida foi uma enorme e saborosa pizza de calabresa com sucos naturais. Delícia! Dali, direto para o hotel, já que estávamos muito. Assim foi nosso primeiro dia.


SEXTA-FEIRA

Levantamos por volta das 7 da manhã e fomos tomar o café da manhã. Uau! Que fartura: pão de queijo, bolos, sucos, frutas, pães, geleias... Diversas coisinhas gostosas.

O dia estava maravilhoso, muito ensolarado e ótimo para passear. Então, ainda na recepção do hotel obtivemos algumas informações de como chegar ao Estádio do Mineirão, que seria nosso primeiro passeio do dia. Ali pertinho pegamos um ônibus.

Detalhe: não pegamos o ônibus que o pessoal do hotel indicou. Depois de conversar com a vendedora de bilhetes do Move, decidimos ir de expresso, pois disse que também ia pra lá e era mais rápido. Vixe. Parou muito longe e tivemos que andar um bocado. Mas tudo bem.

Enfim, o famoso Mineirão, ou Minas Arena, se preferirem. Em torno dele são 80 mil metros quadrados, com comércio, praça de conveniência e sanitários. Existe ali uma enorme área aberta propiciando às pessoas praticarem vários esportes. Há também uma passarela de 15 metros de extensão que liga o Mineirão ao Mineirinho.

Demos uma volta em todo seu entorno e não encontramos a bilheteria para visitar o Estádio. Perguntamos para uns guardas que faziam a ronda e informaram que ficava na Avenida Cel. Oscar Paschoal. S

Já era 10h. Seguimos para lá e compramos os ingressos para a visita ao Museu do Futebol e depois o estádio. Visitamos o museu até as 11h. Muita história. Vale a pena mesmo.

Depois, às 11h, lá fomos nós e um grande grupo de pessoas, orientados por 2 guias, visitar o Estádio e suas instalações. Passamos pelos corredores que os jogadores passam, depois conhecemos os banheiros, as duchas com banheiras, vestiário, sala de imprensa, sala comissão técnica e chegamos ao gramado. Lado de fora, claro. É realmente deslumbrante. Subimos todos para as arquibancadas. Depois de sentados, dá-lhe informações dos guias. Interessante.

Era mais ou menos 11h45 quando saímos.

Seguimos então para Pampulha (na verdade já estávamos na Pampulha, seguimos mesmo para lagoa que tem o mesmo nome), bem pertinho do estádio do Mineirão apenas uma descida e logo demos de cara com a lagoa. Grande, heim! Fomos conhecer a Igreja São Francisco de Assis (FOTO), também muito famosa, pois seu projeto arquitetônico é de Oscar Niemeyer. Não dá para perder a oportunidade. Igreja pequena. O tamanho até nos surpreendeu. Depois de algumas fotos, hora de procurar o ônibus de volta para o centro.




Olha, mas para quem quiser, por ali ainda existem outras atrações: Casa do Baile, Museu de Arte, Parque Ecológico e Zoológico. Optamos por não conhecer nenhum desses, por estarem um tanto quanto longe de onde estávamos.

14h. Chegando ao centro resolvemos conhecer o Parque da Cidade (Parque Municipal Américo Renné Giannetti) localizado na Avenida Afonso Pena. Abrange uma área de 182 mil metros quadrados,

com ampla diversidade de espécies de árvores, monumentos históricos, equipamentos esportivos, muitos brinquedos para as crianças se divertirem, lago com barquinhos a remo e eventos. Um parque muito bacana e bem localizado, mas existem muitos mendigos perambulando pelo local exatamente por ser um parque aberto, gratuito e no Centro.

Depois seguimos caminhando para a tão famosa Praça da Liberdade. Existe toda uma história ligada à praça desde sua construção em 1895-1897 com elementos neoclássicos, diferentes estilos arquitetônicos, prédios modernos projetados por Oscar Niemeyer, depois um estilo pós-moderno. Coreto, fonte luminosa, árvores, ... um ótimo lugar para passear e caminhar.

Por ali está o bonito Palácio da Liberdade, que mereceu uma foto de sua fachada imponente.

15h decidimos conhecer o Memorial Minas Gerais Vale. Entrada gratuita. Lindo edifício por fora e repleto de atrações em seu interior. Vale muitíssimo a pena!

16h, saindo e logo ao lado, foi a vez de avistarmos outro belo edifício: Museu das Minas e do Metal Gerdau. Entrada gratuita. Mais um agradável passeio.

17h. Atravessando a praça, lá está o Centro Cultural Banco do Brasil. Entrada também gratuita e partimos para mais essa visita.

Opa. Achou que acabou? Pois é, não deu tempo para mais visitas. Mas por ali, por volta da praça, existem outras boas atrações, como o Espaço de Conhecimento UFMG, a Biblioteca Pública e a Casa Fiat de Cultura.

Já do lado de fora, a tarde ia se despedindo. Decidimos voltar caminhando para o hotel. Devido ao cansaço, a caminhada foi difícil. Parecia tããããão longe. A fome não era tão grande assim, mas queríamos comer. Perto do hotel, optamos por açaí. Uau. Uma tigela bem grande. 500 ml direito a banana, granola e leite ninho. Hummmmmm!!! Espetacular!!!



SÁBADO

Levantamos cedo novamente, anciosos não só pelo belo dia que teríamos pela frente, mas também pelo super café da manhã. Hoje nosso primeiro destino era conhecer o Parque das Mangabeiras (FOTO), localizado na Serra do Curral, Zona Sul da Cidade. Dali mesmo do centro, pegamos o ônibus que nos deixou na portaria do Parque, ou seja, na entrada mesmo, do lado Sul, pois existem outras entradas. Entrada chamada Praça das Águas, muita bonita, espaçosa, com lago grande cheio de peixes, bancos, árvores, sanitários e quiosques de alimentos.



São 3 opções principais de trilhas: Roteiro das Águas, Roteiro da Mata e o Roteiro do Sol. Seguimos caminhando pelo Roteiro da Mata. Depois de 1h de muito sobe e desce, chegarmos ao Mirante da Mata, de onde é possível ver BH.

Continuando na trilha, mas agora descendo apenas, outra 1h de caminhada e chegamos à Cascatinha. Local com bancos, uma cachoeira pequena e bancos para descansar e fazer piquenique. Seguindo nossa caminhada e mais um pouco de descida até chegarmos ao Lago dos Sonhos. Fotos e começamos a subida. Ufa! Muita subida. Mais de 1h subindo e parando até chegarmos ao Parque Desportivo, com uma pista de skate já lotada. Mais uma subidinha e finalmente chegamos ao nosso ponto de partida, aproximadamente 12h.

Descansamos muito, andamos por lá, fizemos uma horinha e retornamos ao ônibus que já estava estacionado ali, para retorno ao centro da cidade.

No centro, fomos conhecer o Mercado Central. É muito grande. Centenas de lojas: artesanato, comidas típicas, artigos religiosos, tabacarias, floricultura, bebidas, animais, vestuário, acessórios, frutas secas, bares, restaurantes, suplementos esportivos, utilidades domésticas, temperos, aquários, peixes, presentes, possui também estacionamento, sanitários, elevadores. Estávamos procurando algo para almoçar, mas infelizmente não conseguimos, pois todos os restaurantes e bares estavam lotadíssimos, com filas para entrar. Concorridos, então saímos e achamos um restaurante “self-service” por preço único por pessoa e por ali mesmo almoçamos, já que passava das 14h.

Vimos ainda por ali a imponente fachada do Minascentro e também a Raul Soares. Voltamos caminhando para hotel, que estava pertinho. Ainda fizemos algumas comprinhas nas lojas do centro. Depois, já no final da tarde, direto descansar no hotel. A noite saímos para comer. Encontramos uma lanchonete com pastéis incríveis, deliciosos e muito baratos ali pertinho do hotel.



DOMINGO

Nosso último dia em BH. Então arrumamos nossas mochilas, mais um café para lá de bom às 8h, fizemos o “check-out” e deixamos nossa bagagem guardada na recepção do hotel. Nosso ônibus de retorno só sairia à noite.

Nossa programação principal era uma visita à cidade histórica de Sabará. Mas antes fomos conhecer a Feira de Arte e Artesanato que acontece todos os domingos, das 8h às 14h, na Avenida Afonso Pena em frente ao Parque da Cidade, bem no centro da cidade. O tamanho? Gigantesca. A feira é dividida por setores: alimentação, setor infantil/ bebê, bijuterias, arranjos, cintos, bolsas e acessórios, calçados, cama / mesa/ banho, tapeçaria, decoração, utilidades, cestaria, flores, artes plásticas são expostas nas grades do parque, e por aí vai. São aproximadamente 3.000 expositores. E não é gigantesca? Não caminhamos por toda a feira, pois ainda íamos para Sabará.

10h. Seguimos para o ponto de ônibus. Depois de uns 40 minutos, chegamos à Sabará. Não é apenas uma cidade histórica, pois novas construções foram acontecendo. Então ficou uma mistura de duas épocas. A parte histórica é interessante. Como levamos um mapa impresso, fomos seguindo por ele e visitamos: Igreja São Francisco, Praça do Rosário, Igreja Nossa Senhora do Rosário, Chafariz do Rosário, Igreja Nossa Senhora das Mercês (FOTO), Museu do Ouro, Igreja Nossa Senhora do Carmo e Praça Santa Rita. Em meio dia é possível conhecer toda parte histórica. Foi isso que aconteceu conosco e tínhamos tempo ainda, sentamos então na Praça Santa Rita e ficamos um bom tempo por lá, depois um belo sorvete, mas um tempinho na praça e retornamos de ônibus para BH, já no final da tarde.


Fomos então para Praça Sete de Setembro nos saborear com a deliciosa pizza do primeiro dia e quando estávamos nos aproximando avistamos um aglomerado de pessoas e um som alto. Conforme íamos nos aproximando víamos varias pessoas vestidas estilo Black anos 70. A maioria dançando. Não sabíamos, mas estávamos no Quarteirão do Soul. Muitas pessoas dançando, outras apenas olhando. Paramos e ficamos observando. Muito legal.

Depois, já anoitecendo, fomos enfim comer a pizza. Não resistimos e retornamos para observar um pouco mais a turma da dança, agora com mais gente. E assim voltamos para o hotel, aguardamos um pouco a seguimos mais uma vez caminhando para a rodoviária, ali perto. E assim foi nosso feriadão. Embarque no ônibus às 21h e chegada em Campinas por volta das 6h.




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