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sexta-feira, 4 de janeiro de 1980

Tour MG - 9 dias




TOUR MG - 9 DIAS

Finalmente férias! Depois de um longo ano de trabalho, tudo marcado, tudo certinho, mas faltava o principal: o destino da viagem. Que tal um super roteiro pela região Sudeste mesmo? Uma semana para aproveitar e bem cada lugar e momento.
Depois de muito pensar, avaliar distâncias, previsão do tempo e atividades , a decisão: um “tour” por MINAS GERAIS.
Sábado – Lambari, São Lourenço e Caxambu

Partida de Campinas por volta das 3h30 rumo a São Lourenço (Circuito das Águas Mineiro). Direto pela Rodovia D. Pedro e depois Rodovia Fernão Dias, que é uma das mais perigosas do país, com muitas curvas, muitos caminhões...
Quase amanhecendo, lá estava Lambari, a primeira cidade do circuito das águas e do roteiro. Cidade pequena, pacata e com suas fontes de águas milagrosas. Já foi eleita como a 3º melhor água do mundo e capaz de curar doenças. Nela existem 7 fontes dentre as quais a nº1 e nº2 compõe a maior fonte de água mineral naturalmente gasosa do mundo. Começamos aqui nossa aventura: pegamos nossa mini-garrafa de 5 litros (mini???) e enchemos com água gasosa em uma das fontes que fica em uma praça na região central da cidade.  Durante um período da manhã as pessoas podem pegar água e levar para casa quantos litros quiser. Mas depois de um certo horário é cobrado um valor irrisório para abastecer as garrafas. Então o jeito é acordar cedo para poder se deliciar com essas águas.
Dali seguimos contornando o grande lago que fica dentro da cidade e paramos para conhecer um parque municipal.

Já era 9h, quando decidimos seguir para São Lourenço, a aproximadamente 50 km de distância. Ah, mal entramos na cidade e avistamos um balão que estava acabando de descer. A curiosidade nos fez parar o carro e nos aproximarmos para ver de perto, pois nunca tínhamos visto. Maravilhoso, enorme, muito colorido, ... Muita vontade de entrar naquela cestinha e voar por aquele céu maravilhoso, mas o medo também era grande. Ehehehe.


Fomos então para o centro da cidade. Estacionamos o carro, pegamos um lanchinho e saímos caminhando. Lojas, muitos hotéis, artesanato por todo lado... Chegamos no famoso Parque das Águas (FOTO). R$ 6,00 por pessoa para entrar e desfrutar de uma área verde de 400 mil metros quadrados, com várias fontes de águas minerais: ferruginosa, carbogasosa, sulfurosa, gasosa, alcalina, magnesiana e bicarbonatada. Todas com propriedades terapêuticas e medicinais diferentes. Um lugar com muitas árvores, muito calmo para relaxar, pensar, refletir, caminhar e até tomar um solzinho. Uma das fontes chamou muito atenção: ali não se bebia água e sim, era possível a inalação dos gases que eram liberados através de um tubo. Esse gás garante um alívio para problemas respiratórios. Claro, experimentar era mais que óbvio. A sensação não era das melhores: algo parecido com ter engolido água pelo nariz.  
Depois de um longo passeio pelo parque, pouco depois das 12h, saímos e fomos almoçar. Em meio a vários restaurantes, a escolha foi perfeita: comida boa e barata. Agora, alimentados, era continuar o passeio. Caminhamos mais um pouco pela cidade e conhecemos todo o centro turístico. Depois seguimos de carro até a Estação de trem de São Lourenço, de onde saem passeios de Maria Fumaça para a cidade de Soledade de Minas. O passeio tem duração de 2 horas, mas optamos em não ir.
Seguimos nossa viagem. Agora à próxima parada seria Caxambu há uns 27,5 km de onde estávamos.
Chegando à cidade, fomos direto para o Mirante que fica a 1100m de altitude. Dá para avistar toda a cidade e ao fundo a Serra da Mantiqueira. Podíamos ter descido de teleférico que sairia dentro do parque das águas, mas como subimos de carro e o teleférico não me parecia muito seguro, optamos pela nossa segurança e descemos de carro.  Paramos no centro da pequena cidade e fomos fazer nosso passeio a pé. Como é de costume nessas cidades, a praça principal estava com muitas pessoas, turistas e crianças brincando. Ali tinha feirinha, lojinhas, comida...
Por ali, o Parque das Águas. Um pouco menor que o de São Lourenço, com 210 mil metros quadrados, mais com doze 12 fontes de águas minerais, com propriedades diferentes umas das outras. Como já havíamos conhecido o outro parque na cidade anterior, optamos por não entrar nesse. O ingresso aqui custava R$ 5,00. Assim demos uma volta por fora do parque. O que vimos foi muito triste: um lugar muito grande, maravilhoso, todo arborizado, ótimo para relaxar, caminhar, refletir... mas estava simplesmente abandonado. Um desleixo total.
Em uma das laterais do parque tinha uma fonte de água. As pessoas formavam uma fila enorme. Resolvemos pegar água ali também.
Final da tarde, mapa na mão e agora mais uns 43 km e estávamos em Aiuruoca. Nome estranho, heim!? O nome é derivado da lingua Tupi e significa "casa de papagaio", através da junção das palavras aîuru ("papagaio") e oka ("casa").
A noite já se mostrava forte quando chegamos ao centrinho da cidade. Olha que interessante: estávamos perdidos. Pois é, perdidos em uma cidade tão pequena. Onde seria a pousada? Pergunta daqui, pergunta dali e pronto! Chegamos: Pousada Recanto das Flores! Pequena e aconchegante. A proprietária é uma senhorinha muito simpática, que já foi logo avisando que o farto e magnífico café da manhã seria servido na casa dela, que ficava logo do outro lado da rua. Retornamos para o centrinho e fomos jantar, em uma pizzaria.
Domingo – Aiuruoca
Acordamos e logo veio à cabeça o tal café da manhã. E lá fomos nós. Olha, e a propaganda não foi enganosa. Hiper fabuloso café da manhã. Depois, mapa nas mãos fornecido pela própria dona da pousada. Com direito a todas as explicações de como chegar nas cachoeiras, seguimos de carro, bem devagar, apreciando aquela cidade bem diferente das outras do dia anterior. Pessoas simples e humildes, poucos e pequenos estabelecimentos comerciais. Aliás, imóveis antigos que não lembrava modernidade, shoppings,...
Fomos em direção à Cachoeira dos Garcias (FOTO). Um acesso muito difícil em estrada de terra, mal conservada e com muitos buracos.

Não tinha ninguém para se perguntar se o caminho era aquele mesmo. De repente, encontramos uma caminhonete estacionada no meio da estrada. Algo dizia que era ali. Paramos, descemos para verificar o local e ver se achávamos alguma informação sobre a cachoeira. Avistamos uma trilha, onde veículo não passava. Colocamos a mochila nas costas e seguimos descendo. Desce, desce, desce e nada de cachoeira. A trilha parecia não ter fim. Sol escaldante. Calor intenso. Resolvemos voltar para onde estava o carro. Uau, só subida.
Quando chegamos perto do carro quem aparece? Um guia turístico com um turista! Agora não íamos perder a chance: perguntamos a ele sobre a cachoeira e realmente estávamos no caminho certo. Bastava descer uns 30mim por aquela trilha. E depois de muito descer, já fomos ouvindo aquele barulho forte de água caindo e pessoas conversando. Que alegria! Chegamos pela parte de cima da cachoeira. Que sensação maravilhosa e mágica. Natureza incrível, água cristalina geladíssima, sol, mata, céu azul..., Era mais ou menos 10h e por ali ficamos um bom tempo. Hora de conhecer a parte de baixo da cachoeira.  Descemos pela mata e nos segurando em árvores. Chegamos e nos refrescamos novamente naquela água maravilhosa. Muitas mini piscinas. Uma queda de 30 metros. Já estávamos no início da tarde e a fome era grande. Comemos e decidimos retornar para o carro, para seguirmos o passeio. Vixe! Subir aquela montanha, com aquele sol forte e depois andar mais uns 30 minutos para chegarmos ao carro. Ai, ai, ...
Continuando o passeio, seguimos de carro até uma grande piscina natural formada por um ribeirão, com um escorregador natural chamado Poço Joaquim Bernardo cercado por pastagens e uma colônia de Araucárias em sua frente.
Que banho maravilhoso. E a água estava bem gelada, viu! Mais uns minutinhos daquele lugar maravilhoso. Para onde iríamos depois?
Seguimos para o Vale do Matutu. Em linguagem indígena significa: “cabeceiras sagradas”. Mais um pouco de estrada de terra e chegamos de volta em Aiuruoca. Atravessamos a cidade e, outra estrada. Seguimos por um tempo até chegarmos à entrada do vale, onde existe um casarão onde funciona a associação dos moradores e amigos do Matutu.
Deixamos o carro e fomos em direção à cachoeira Poço das Fadas. Uma trilha de 200 metros no máximo e começávamos a ouvir aquele barulho de água. Pronto, lá estava: água cristalina correndo entre as pedras. Fomos nos aproximando cada vez mais até conseguirmos sentir a água em nossos pés e mãos.  
Hora de partir, pois o sol estava se pondo e a noite chegava rápido. Em nossa segunda noite em Aiuruoca fomos para o centro da cidade jantar. Como não eram muitas as opções, optamos rapidinho por uma aconchegante pizzaria. Aliás, uma das únicas na cidade. Sorte de novo: comida boa e barata.
Atravessamos a rua e sentamos na famosa pracinha com a igreja matriz. Local onde tudo acontece. Depois da missa, todas as pessoas ficam na praça. O cansaço era grande e fomos dormir, pois no dia seguinte teríamos mais cachoeiras para conhecer.
Segunda-feira – Aiuruoca
Depois de mais um belo café da manhã, arrumamos nossas coisas, nos despedimos da dona da Pousada (“a senhorinha”) e seguimos atravessando a rodovia, para conhecermos mais duas cachoeiras e assim seguirmos para nossa próxima cidade. Caminho complicado que só pode ser feito depois de muitas explicações da dona da pousada.
Primeira delas: Cachoeira Duas Quedas (FOTO), onde se formam duchas naturais refrescantes, mas não tem poço para banho de imersão. O carro pode ser deixado próximo da cachoeira (pertinho mesmo). Local limpo e de muito fácil acesso.

Não havia ninguém ali. Pegamos nossas comidinhas e descemos. Mais um lugar incrível para passar um bom tempo. Entramos embaixo da cachoeira, pois até agora não tínhamos feito isso. Água muito gelada e a queda era muito forte. Batia em nossa pele tão forte que doía. Sensação maravilhosa!
Depois de algum tempo sentindo a queda d’agua no corpo, saímos para tomar sol. E assim foi: vai, volta, entra na água, entra debaixo da queda d’água, sai, ... De repente, uma cena inusitada que gerou um grande desespero: estava eu sentada tranquilamente em uma pedra dentro d’água, observando a queda, aquela natureza maravilhosa em minha volta, quando em minha direção vem descendo uma cobra d’água, levada pela correnteza.  Sai correndo e gritando. Que susto e medo. Uhhhhh! Depois dessa, nada de entrar na água novamente.
Almoçamos o que tínhamos na mochila. Ficamos mais um pouco por ali e depois, seguimos para a segunda cachoeira.
Mais uns 3 km de carro e chegamos na Cachoeira da Laje.
Enquanto ele estacionava o carro, desci e fui lentamente caminhando em direção à cachoeira. Uma única queda e um poço raso para banho. Sinceramente, a anterior é muito melhor.  Fácil acesso também. Mal cuidada e com um pouco de lixo em volta. Mato, árvore caída, ...  De repente, 3 cachorros saíram do mato correndo em minha direção. Susto e desespero novamente. Gritei e gritei mesmo. Ele assustou. Corri em direção ao carro, abri a porta e me joguei dentro. Imagina a cena! Nisso aparece no alto de um monte, o dono dos cachorros, caminhando e rindo. Passou longe da gente. Calma, calma, calma! Na verdade os cachorros não vieram correndo com a intenção de morder ou algo assim. Queriam brincar. Eram muito dóceis.
Ficamos nesse local por 50 minutos.
Quase 14h e seguimos viagem. Agora, tínhamos muito estrada pela frente. Talvez 5 horas de viagem, ou mais. Viagem longa, cansativa, trânsito intenso e complicado, com direito a pegar acessos errados. A noite se iniciava e chegamos em Ouro Branco, onde decidimos jantar.
Mais um pouco de estrada e lá estava, Ouro Preto, bela e misteriosa, mistura entre o passado e o presente. Não foi difícil encontrar o Ouro Preto Hostel. Muito bom por sinal, com bom atendimento, boa localização, apesar do morro e das escadas.
 
Terça-feira – Ouro Preto
Acordamos cedo, e nos deparamos com uma vista totalmente diferente da que tínhamos visto ate agora. Parecia que tínhamos voltado no século passado. Tudo muito diferente. Depois dessa vista tomamos um belo café da manha com direito a pão de queijo, bolo, pão, suco, leite, café... Voltamos para o quarto, arrumamos a mochila com algumas comidinhas e saímos em caminhada. Ruas de paralelepípedos, muitas ladeiras e muitas igrejas. São 13 no total, fora as capelinhas. Paramos no centro turístico para pegarmos o mapa da cidade e decidirmos por onde realmente começar o passeio. Bem, como foram muitos lugares e igrejas (lembrando que na maioria é  cobrado ingresso e que, existe horários de funcionamento) visitados, ficam as referências: Casa de Gonzaga, Igreja Nossa Senhora do Carmo, Casa da Ópera-Teatro Municipal, Escola de Farmácia, Morro da Forca, Estação, Igreja Nossa Senhora do Pilar com muita coisa de ouro (FOTO), Museu Arte Sacra, Igreja Nossa Senhora do Rosário, Igreja São Francisco de Paula, Igreja São José, Museu da Inconfidência, Igreja Nossa Senhora das Mercês, Museu de Ciência e Técnica, Observatório, Museu da Mineralogia, Praça de Tiradentes com o Monumento de Tiradentes, Feira da Pedra de Sabão, Igreja São Francisco de Assis, Cemitério São Francisco de Assis atrás da Igreja, Igreja Nossa Senhora da Conceição e Capela Nossa Senhora das Dores.

Ouro Preto é inesquecível.  Uma obra prima a céu aberto, da arquitetura e da arte colonial brasileira, declarada patrimônio da humanidade e tombada pela Unesco. A sensação de visitar todos aquelas igrejas e museus, cada qual no seu estilo, umas em rococó, outras em barroco mineiro, algumas cobertas de ouro, com muitos anjos esculpidos, algumas com santos negros, muitas com desenhos artísticos no teto  e com obras de Aleijadinho. Era como se pudéssemos conhecer um pouquinho de como viviam as pessoas naquela época, de estar no século passado.
Mas e porque existem tantas igrejas na cidade? Tempos e tempos atrás, a vida social da comunidade passava pela igreja. Era onde se desfilavam as melhores roupas e se flertavam as donzelas, mas eram também de certa forma uma demonstração pública de poder de seus patronos. As famílias de posição social de cada distrito reuniam-se para edificar a igreja de sua paróquia e a competição era inevitável, tanto para ter a igreja mais bela quanto para demonstrar a prosperidade dos que as mantinham.
Já era noite quando voltamos para o hostel. Estávamos muito cansados e nada melhor que um belo banho, comer e dormir, pois no dia seguinte as aventuras continuariam. Boa noiteeeee!
Quarta-feira – Mariana
7h e já estávamos prontos esperando o café da manhã, que seria servido a partir das 7h30. Como sempre éramos os primeiros Tudo estava fresquinho humm... que delicia!
Prontos para mais um dia de passeio e de muito sol, saímos do hostel. Hoje o passeio era para “os lados” de Mariana. Embarcamos em ônibus circular (fácil, barato e tem a cada 30 minutos mais ou menos), que liga Ouro Preto à Mariana. Na metade do trajeto, chegamos na Mina da Passagem (FOTO) que fica entre Ouro Preto e Mariana e é considerada a maior Mina de Ouro aberta à visitação do mundo.



 A descida é feita através de um Trolley, num percurso de 315m e 120m de profundidade. Lá embaixo existe um maravilhoso lago natural e a temperatura varia entre 17 a 20 graus.  


Segundo o guia, desde o início da exploração no inicio do século XVIII, foram retiradas aproximadamente 35 toneladas de ouro e ainda existe ouro na Mina. Mas não se pode mais retirar, pois está entre as rochas e a tentativa de retirada com abertura de valas e buracos, pode ocasionar o desmoronamento de tudo. Nos dias de hoje além do turismo a mina é um dos maiores pontos de encontro de mergulhadores de cavernas do Brasil. É um grande campo para pessoas que vem do mundo todo pesquisar os segredos e mistérios ainda não descobertos no seu interior. Mais uma experiência inesquecível!

Voltamos para o ponto de ônibus, esperamos mais um pouquinho e embarcamos novamente. Depois de alguns minutos chegávamos a Mariana. Descemos no centro onde tem um terminal de ônibus bem movimentado, com o vai e vem de pessoas, vendedores ambulantes, etc.

Mais uma “ocorrência”: logo ao desembarcar, avistamos um centro de informações ao turista. Fomos até lá para pegar um mapa da cidade. Tinha somente um homem aparentando seus 40 anos de idade que inclusive estava com uma camiseta da prefeitura da cidade.  Disse que os mapas eram vendidos por R$ 2,00 cada. Muito estranho. Vender mapa turístico em órgão municipal. Depois de pensar por segundos, compramos. Não estávamos acreditando que tínhamos pagado por um mapa sendo que todas as cidades que tínhamos passado até agora eram gratuitos.

Saímos caminhando, nos referenciando pelo mapa recém comprado. E de repente, o que encontramos? A CASA DO TURISTA. Entramos, pedimos um mapa turístico e a atendente muito simpática, nos mostrou uma mesinha com diversos folders e mapas grátis. Advinha? Lá estavam vários mapas idênticos ao que tínhamos comprado e outros. Ok, mantivemos a calma. Pegamos um diferente e continuamos nossa caminhada. Conforme andávamos, comparávamos os 2 mapas e percebemos que o mapa que nos foi vendido estava completamente diferente do outro e por sinal, com muita coisa errada: nomes de ruas, pontos turísticos, etc. Pronto! Ficamos muito aborrecidos com tal situação.

Voltando a falar sobre a cidade, Mariana é aconchegante. Tudo muito próximo. Desse modo, com metade do dia dá para se conhecer os pontos turísticos da cidade. Catedral Basílica da Sé ou de Nossa Senhora da Assunção, São Francisco de Assis, Nossa Senhora do Carmo, Nossa Senhora do Rosário, São Pedro dos Clérigos, Arquiconfraria de São Francisco dos Cordões, Nossa Senhora das Mercês, Capela de Santo Antônio, Capela de Sant'Ana,Capela de Nossa Senhora da Boa Morte, Casa da Cultura, Sede Guarany Futebol Clube, Seminário de São José, Pelourinho, Casa da Câmara e Cadeia.

Lembra do mapa comprado? Pois é, ainda tem o capítulo final. O último lugar a ser visitado antes de retornar para Ouro Preto foi a Casa da Câmara e Cadeia.  Depois de algumas fotos, percebemos que estava acontecendo um julgamento. Então estava bem movimentado. Quando estávamos descendo a escada para sair, quem passa ao nosso lado? Ninguém menos que o guia que nos vendeu o mapa. No momento ficamos muito nervosos em ver aquela pessoa novamente. Retornamos e fomos atrás dele. “Ei, lembra de nós?  Os turísticas para quem vendeu um mapa pela manhã!” Cara idiota! Devolvemos o mapa e falamos que não era bom pois as indicações estavam todas erradas. Teve a coragem de alegar que era bom sim, pois estava resumido para melhor entendimento de turistas. Nos viramos e não demos atenção. Saímos de lá e fomos direto para a Casa do Turista “denunciar” o sujeito. Relatamos tudo o que havia acontecido. As pessoas que ali trabalhavam ficaram surpresas com a atitude daquele “guia” e disseram que iriam tomar as medidas cabíveis, pois esse mapa nunca deveria ser vendido.  Ainda tivemos que relatar tudo por escrito e também para a chefe do gabinete. Agimos dessa forma, pois achamos que devemos denunciar pessoas de mau caráter e não pelo simples valor de R$ 2,00. Imaginem quantos turistas podem ser enganados? E se forem turistas estrangeiros então?  Dia muito atípico. Quase fomos parar na “delegacia” por causa do tal mapa. Ehehehe.

Tudo esclarecido pegamos o ônibus de volta e chegamos a Ouro Preto por volta das 16h.  Como ainda nos restava a parte final da tarde, passamos pela pousada e fomos visitar outros lugares que restavam: Igreja Nossa Senhora da Conceição, Mina do Chico Rei, Igreja de Santa Efigênia, Museu - Casa de Jose Emiliano.

A respeito da Mina do Chico Rei, que é um excelente passeio! Porque esse nome? Chico Rei foi um escravo trazido do Congo, trabalhou explorando a mina até comprar sua carta de alforria e depois a própria mina durante o ciclo do ouro no Brasil. O valor para visitação é de R$ 10,00. Não é necessário guia para acompanhar. Precisa apenas colocar uma toca e um capacete de obra. Muito diferente da outra mina que visitamos pela manhã, essa é estreita e baixa. Todo o percurso se faz a pé.
Saímos e fomos visitar mais uma Igreja para depois encerrarmos o dia. 
Quinta-feira – Congonhas e Tiradentes
Logo cedo, após o café da manhã, fizemos o “check out” e seguimos de carro por mais ou menos 56 km. Chegamos em Congonhas, que é outra cidade histórica e faz parte do circuito histórico de MG. A cidade não é muito bonita se comparando com Ouro Preto, mais tem suas preciosidades também. Cidade interessante, pois no alto de uma colina existem doze profetas em tamanho natural dispostos externamente à Igreja Bom Jesus do Matosinhos. São confeccionados em pedra-sabão (FOTO). 


Existem outras 66 esculturas que representam os Passos da Paixão de Cristo, dispostas em santuários, logo ali abaixo da igreja, em uma praça.
Realmente um local impressionante, pois para cada escultura que se olha parece que nos transmite algo. O semblante de cada profeta parece triste. A posição e o gesto parecem estar revelando algo que vivenciaram de uma época trágica com desfecho da Inconfidência. Depois visitamos mais uma Igreja (Nossa Senhora da Conceição).
Finalzinho da manhã e era hora de seguir. Mais 114 km e chegávamos em Tiradentes, muito aconchegante, romântica e bem arrumadinha. Apresenta um dos conjuntos arquitetônicos mais preservados de todas. Bom como já é de costume conhecemos mais um bocado de Igrejas (Senhor Bom Jesus da Pobreza, Capela Igreja do Rosário, Igreja do Rosário, Matriz de Santo Antônio, Santuário da Santíssima Trindade, Igreja São João Evangelista, Igreja Nossa Senhora das Mercês, Igreja de São Francisco).
A parte da tarde foi suficiente para conhecer quase toda a cidade ou boa parte dela. Um ótimo lugar não apenas pela parte histórica, mas também pelo jeito acolhedor, agradável e tranquilo, pelas comidas típicas, pelo jeito bem interior e ao mesmo tempo moderno, um ótimo lugar para passar o final de semana, passear, caminhar, entre outras coisas.
Ficamos hospedados da Pousada Anjos Astrais. Apesar dos pernilongos, um lugar maravilhoso, toda decorada e voltada para os anjos, os signos e coisas místicas. Cada quarto se refere a um signo. Muito bacana. Indicamos.
Sexta-feira – São João Del Rei
No dia seguinte tomamos um belo café da manhã, pegamos nossas coisas e seguimos. Ainda em Tiradentes, conhecemos um lugar incrível chamado Trilha ou Bosque Mãe D’Água, localizada próximo ao Chafariz São José. É uma trilha com mais ou menos um 1 km dentro da mata nativa e todo o caminho segue o aqueduto (canal para conduzir água) que coleta água em uma nascente, conduzindo para o Chafariz São José. Passeio sensacional. Para quem gosta de trilhas, eis uma dica!
Saindo de Tiradentes, tem a Cachoeira Bom Despacho. Local de lazer.
Seguindo, chegamos em São João Del Rei. Como comentado no decorrer do relato (e viagem), cada cidade tem suas características e seu estilo. E aqui mais uma diferente de todas as outras. Considerada uma das microrregiões de Minas Gerais, a cidade aparenta estar dividida em duas partes: uma parte moderna e agitada na área contemporânea com escolas, faculdades (uma até bem conhecida UFSJ), pessoas para lá e para cá, mini shoppings, academias, etc., que uma cidade grande tem.  
E outra parte, a histórica e cultural, que por sinal é muito pacata, a não ser pelos turistas.
Conseguimos conhecer esses dois lados primeiramente a parte histórica, com suas igrejas e alguns museus: Igreja São Francisco de Assis, Memorial Tancredo Neves, Igreja do Rosário, Solar dos Neves, Igreja Nossa Senhora das Mercês, Cruzeiro do Largo das Mercês, Igreja Nossa Senhora do Pilar, Igreja Nossa Senhora do Carmo, Solar da Baronesa Itaverava, Museu Regional de São João Del Rei, Ponte da Cadeia, Prefeitura, Igreja São Gonçalo Garcia, Monumento aos Expedicionários, Capela Nossa Senhora das Dores. Do outro, uma cidade moderna: lojas, galerias, muitas pessoas nas ruas, escolas, bancos...
Passava das 16h. Mapa nas mãos, rota traçada, mais 190 km e entramos em uma “vibe” completamente paz e amor. Uma cidade que alguns acreditam ser um dos sete pontos energéticos da Terra. Um lugar místico, espiritual, científico e alternativo. Estávamos em São Thomé das Letras.
A cidade fica em uma região serrana (alto da montanha) sobre um largo depósito mineral de quartzito (pedras brancas), que foram utilizadas na construção de quase toda a cidade (casas, ruas...) e atualmente, muito utilizadas na elaboração do artesanato local. Tem muita gente “alternativa” pela cidade.
Fomos direto para pousada, onde deixamos nossas coisas e como ainda restava algum tempo de luz do dia, fomos ver o pôr do sol na famosa Pirâmide (FOTO). Para chegar até lá, deve-se caminhar morro acima, até o final da cidade. Acaba a cidade e a caminhada continua pela montanha, cheia de pedras. 


Espetacular a Pirâmide, e principalmente a vista, pois fica em um ponto montanhoso e elevado a 1.440 metros acima do nível do mar. Que sensação maravilhosa. Energia pura. Conseguimos ver toda a cidade. Inclusive as cidades que ficam perto de São Thomé. Ventava muito, mas muito mesmo. Paz total. “A pedida” é sentar no telhado e apreciar o pôr do sol. Show!
Escureceu rápido e nesse dia não conseguimos conhecer mais nada. Retornamos para a pousada, tomamos banho e saímos para jantar. Depois, dormir, pois no outro dia íamos conhecer cachoeiras.
Sábado – São Thomé das Letras
Como sempre o café dos mineiros e de todas as pousadas que ficávamos, foi espetacular. Mapa da cidade nas mãos, algumas dicas do pessoal da pousada e seguimos para a Cachoeira da Lua. Antes porém, fomos parando em alguns lugares: Estádio Municipal, Praça do Extrator, Gruta Toca do Leão.
Chegamos à cachoeira (estrada de terra), paramos o carro e logo na entrada nos deparamos artesãos e seus produtos. Trilhazinha curtíssima e tranquila. Paisagem um tanto exótica. A queda d’água é baixa, forma-se uma piscina não tão grande e em volta muitas árvores. Tem até uma corda para o pessoal pular. Ficamos horas por lá apreciando a beleza das águas cristalinas e da natureza.
Depois seguimos para Cachoeira da Eubiose (FOTO). Para chegar, tivemos que andar por uma trilha, mas muita tranquila e até gostosa de se percorrer. Muito bem sinalizada até a cachoeira. Também quase chegando nela, artesãos. Comparando com a anterior essa é muito melhor, pois a mata é mais aberta, entra mais sol, a água é mais cristalina e tanto a piscina que se forma como a queda d‘agua são bem maiores. 

A movimentação de pessoas já era grande. Algumas chegando, outras saindo, ... Deixamos nossas mochilas em uma árvore e, “água na gente”. Gelada, bem gelada. Que sensação maravilhosa!!!
Seguimos depois para a Cachoeira do Flávio, bem procurada por famílias. Forma poços rasos, ideal para as crianças. A queda d’água também é baixa. Uau!
Passamos o dia todo entre uma cachoeira e outra, mas como já estava caindo à tarde resolvemos encerrar e voltar para a cidade. Paramos para bater uma foto na Igreja de Pedra (Nossa Senhora do Rosário).
Dia muito, muito proveitoso mesmo. Muito cansados fomos então tomar um banho, jantar e dormir pois o dia seguinte seria o último de nossa viagem.
Domingo – São Thomé das Letras
Olha a rotina aí: acorda cedo, delicioso café da manhã e dia cheio de passeios.
Arrumamos nossas malas mas deixamos na pousada, pois ainda restavam alguns lugares na cidade para conhecer. Fomos então para a Praça Barão de Alfenas. No caminho passamos por muitas lojinhas de artesanato e produtos místicos. Inclusive à noite o pessoal alternativo monta as barraquinhas em volta da praça, ou seja, durante o dia eles vendem nas diversas cachoeiras espalhadas pela cidade e a noite da praça.
A Praça, a Igreja matriz de São Thomé, a Gruta São Thomé onde dizem que um escravo fugiu de seu Senhor e se escondeu por lá durante muito tempo, vendo assim São Thomé, que escreveu uma carta e pediu para que o escravo levasse até o seu senhor para que fosse libertado. E foi o que aconteceu. Por isso também a cidade traz esse nome.
Adentramos na gruta. Pequena e de fácil visitação. Subindo na gruta, se vê toda cidade.
A pé, seguimos para a Pedra da Bruxa que fica na direção da pirâmide. Subimos toda a montanha novamente. O calor estava forte. O nome Pedra da Bruxa surgiu, olhando de perfil lembra a silhueta e a face de uma bruxa. É um dos pontos mais altos da cidade onde também se pode ver o pôr do sol. Logo ao lado conhecemos o Mirante, que é uma casinha feita de pedra. Mais um ponto de observação da cidade e arredores.  Ótimo lugar para meditação e relaxamento. Muitas, muitas  fotos.
10h, voltamos para pousada, colocamos as malas no carro e seguimos para uma badalada cachoeira: Vale das Borboletas (FOTO). Fica logo na entrada da cidade. Tem um local bem grande onde os carros ficam parados, logo a frente uma barraca bem grande com comes e bebes, e com apenas uma caminhadinha, logo já se escuta aquele barulho de água caindo. É muita frequentada.  

Atrás da queda d’água existe um espaço repleto de samambaias, que ao reflexo do sol, se mostram como que cristais descendo até a piscina natural que ali se formou, num vale cercado por uma mata verde e irradiante, cheia de coloridas flores e borboletas.
Fascinante e linda. Depois de desfrutar de parte de baixo por um bom tempo, subimos. E a parte de cima é um lugar muito bom para ficar, com o córrego de água cristalina e muitas pedras. Ideal para descansar sob o sol
É nosso passeio estava chegando ao fim. Pena ter que deixar aquilo para traz, aquela sensação de bem estar, mas afinal tínhamos que voltar para nossa vida. Mas ainda faltava um último lugar por ali para ser visitado: LADEIRA DO AMENDOIM. O acesso é bem complicado. Mas vale a pena.
É uma ladeira com pequena inclinação. Dizem que se pode parar o carro, desligar o motor, não acionar o freio de mão, deixar o carro desengatado e o carro vai subir a ladeira sozinho. Mas que loucura é essa?????? Bem, nada mais nos restava senão testar! E não é que era verdade!? Fantástico e até certo ponto, divertida a situação. Vale a pena brincar um pouquinho.
Pouco mais de 13h, sol forte e calor. Iniciamos nossa viagem de volta para Campinas.  Passamos pela cidade do Rei Pelé: Três Corações. Depois, como o calor era forte, paramos para tomar um sorvetinho em Cambuquira.
Daí sim, seguimos direto sem parada, e por volta das 18h chegávamos em Campinas.
Fica aqui um elogio para os Mineiros que são muito hospitaleiros, amigos e acolhedores. PARABÉNS! Mas também, é necessário ressaltar que as estradas de Minas Gerais estão super mal sinalizadas e, em alguns pontos as estradas estão com pavimento muito ruim.




 

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