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quarta-feira, 2 de janeiro de 1980

Peru e Bolivia




A intenção aqui é relatar com clareza e exatidão os acontecimentos.

Tudo começou no final de Outubro quando, na empresa em que trabalhava nessa época, me avisaram que eu sairia de férias em Dezembro do mesmo ano.
Imediatamente comecei a me planejar. Pesquisar lugares para viajar, montar um pacote, comprar passagens, ...
As passagens ida e volta pela TAM comprei em uma agência e me custaram pouco mais de US$ 400.00 e a passagem da TACA entre Lima e Cusco comprei pela internet e paguei pouco mais de US$ 120.00.
Montei roteiro, pesquisei lugares, peguei dicas e tudo mais pela internet.
Tudo deu certo. Passaria uma semana viajando pelo Peru e outra semana pela Bolívia.
Agora era viver a ansiedade gostosa do período pré viagem. Que delícia.
Abaixo conversões de moedas na época da viagem:
1US$ = 2,87S$         1US$ = 7B$            1R$ = 1,64S$                   1R$ = 4B$




Domingo
3h, mochila nas costas e lá ia eu até o ponto de táxi perto de casa, já que havia confirmado na véspera se teria um por ali no horário que eu precisaria e a resposta foi positiva. Cheguei e lá estava o táxi, com o motorista dormindo dentro. Acordei-o e solicitei a corrida até a rodoviária. Para minha surpresa esse sujeito me disse que já havia encerrado suas atividades e que não me levaria. O que? Brigar não iria adiantar. Para minha sorte a rodoviária ficava a mais ou menos 30 minutos de caminhada dali. Bem, madrugada, praticamente só eu pelas ruas, e lá fui eu. Apesar de ainda faltar um bom tempo para a partida do ônibus, caminhei rápido. Como também já havia comprado a passagem de ida para o Aeroporto de Guarulhos (US$ 20.00), estava relativamente tranquilo. Pouco antes das 4h e eu chegava à rodoviária. Às 4h15m embarquei. Tentei cochilar, mas nem deu certo. Quando resolvi prestar atenção na estrada, percebi 2 caras preocupados ao lado. Só fui entender quando notei que o trajeto do ônibus era diferente do até então conhecido. 
Trajeto alterado recentemente, imaginei. Sim, foi isso mesmo que aconteceu. Cheguei ao aeroporto 6h30m, fiz “check in”, tirei fotos com a máquina emprestada que lavava comigo e embarquei às 8h25m. Mal tinha me sentado e 1 gringo veio até mim dizendo que eu estava na poltrona dele. O bilhete emitido pela  TAM não estava tão legível e eu confundi o lugar. Sentei então ao lado de uma mãe e filha. Bacanas. De Belo Horizonte. Vôo demorado. 5h. 

Em Lima são 3h a menos, devido ao fuso horário.
Pouco antes das 11h e eu chegava em Lima. Desembarquei com minha mochilona nas costas e já fui trocar dólares por Soles e confirmar meu vôo da TACA para Cusco no balcão. Na sequência, fui procurar por uma pessoa que deveria estar me aguardando do Hostal Eiffel Calle (Jr.
Juan Fanning 550 Miraflores telefone 511 – 2429498). Nada. Procurei, esperei, perguntei, e nada. Muito tempo se passou e nada. Não cumpriram com o que haviam acertado através da internet (trocando e-mails). Para minha sorte ainda não havia pago nada ao referido local. Bem, o negócio era me virar. Fui até o balcão de informações e me orientaram a pegar um táxi através de uma companhia em um outro balcão. Táxi caro ali. US$17 a corrida para Miraflores, meu destino. Acertei que pagaria somente U$15. Dei uma nota de US$ 20.00 e de troco tentaram me dar uma nota de US$ 5.00 rasgada. Pesquisando pela internet, vi que não deveria aceitar notas ruins. Quando disse que não queria, não gostaram. Me deram uma em bom estado, então. Me levaram para fora do aeroporto e me apresentaram para o taxista. Daí foi me conduzindo para seu taxi. No caminho falava com outros taxistas. Me senti inseguro. Entrei no taxi. Nisso um outro taxista parou junto a janela e conversou com esse motorista. Olhou para mim e riu. Nossa. Daí sim, tinha quase certeza que tudo estava errado. Pensei em tudo: roubo, sequestro, ...
Sentei-me na parte de trás do carro e com minha mochila junto. Ligou o táxi e saímos. Já estava prestes a realmente me desesperar. Logo saindo do aeroporto percebi bairros com muita pobreza. Claro, isso fez com que eu ficasse ainda mais apreensivo. Bem, nesse momento, resolvi começar a falar. E falei, heim. O motorista também parecia gostar de conversar. E enquanto conversávamos, notei muitos policiais e placas de sinalização indicando que realmente seguíamos para Miraflores. Daí, me tranquilizei. Percebi que meu medo não procedia e pude ficar totalmente aliviado. A conversa “embalou de vez” quando conversamos de futebol brasileiro. Na sequência, me perguntou para qual lugar de Miraflores eu ia. Pois é, não tinha hotel para ficar. Então me disse que mostraria umas boas opções. E foi o que fez. Na primeira, não tinha vaga. E na segunda, sim. House Sucre (Pasaje Sucre, 179 – Miraflores). Quarto com duas camas de solteiro e sem banheiro, mas ficava do lado. A dona era muito simpática e inclusive havia trabalhado por muito tempo para uma grande construtora do Brasil. A localização era excelente. Não tive dúvidas. Fiquei ali mesmo. Duas noites por US$ 60.00, depois claro de pechinchar.

Não tive tempo para almoçar. Comi 1 barrinha de cereais que havia levado comigo. Aproximadamente 13h e decidi já sair para começar a conhecer a cidade. Peguei um mapa de Lima na recepção e algumas dicas com a proprietária. Como sabia que tinha city tour partindo do Parque Kennedy às 14h30m era para lá que eu iria.
Caminhei algumas quadras em sentido oposto sem saber. Assim que me dei conta, tomei a direção correta e quase correndo fui para o local desejado. Pouco depois das 14h cheguei. Muito grande e bonito. A empresa que faz o city tour chama-se Mirabus. Existem 2 tipos de passeio: um de 2h30m de duração e o que eu escolhi, de 3h30m. Rapidinho comprei minha passagem por US$ 18.00, peguei outro mapa da cidade (melhor) e embarquei num ônibus de 2 pisos (foto). 



Claro, fui para a parte de cima, de onde teria uma vista melhor de todo o passeio. O dia estava nublado e ameaçava esfriar. Saímos as 14h30m. Comecei a tirar fotos. Alguns minutos depois, a máquina fotográfica quebrou. Máquina fotográfica emprestada! Ahhhhhh! Resultado: praticamente todo o passeio sem tirar fotos.
Visitei a Iglesia San Francisco (entrei com ingresso incluso no tour) e seu mosteiro antigo, com muitas pombas do lado externo. Lá nem podia tirar fotos (sorte minha). Visitei catacumbas com muito osso humano. Incrível. Lugar super legal.
E apesar de ter tirado poucas fotos, valeu muito a pena. A hora ia passando, as visitas a lugares muito bonitos acontecendo e a temperatura baixando. Ao final do city tour a temperatura estava no máximo 18ºC.
Logo que desci do ônibus fui imediatamente pesquisar máquinas fotográficas para comprar, já que ao redor do Parque Kennedy, ponto final do passeio, existiam muitas lojas. Pesquisei em 3 lugares e comprei no último, minha primeira máquina fotográfica digital, por US$ 105.00, com pilhas inclusas no valor. Agora mais tranqüilo, por ali mesmo jantei por US$ 9.00. Sanduiche de pollo e Chicha, que é um suco. Daí fiquei na praça assistindo apresentação de crianças (canções de Natal). Lindo!
Iniciava aí um período de constatações: praça muito limpa e bem cuidada, muitos policiais, pessoas conversando, crianças brincando, ... As pessoas em sua grande maioria eram descendentes de indígenas. Pouco vi de outras etinias. Não vi descendentes de asiáticos e negros, e tão somente 3 mulatos. Vi 1 gato e poucos cachorros, mas todos na coleira (e de raças). Passarinhos cantando, tinha muito. Os ônibus coletivos eram parecidos com os existentes na Argentina com mistura dos existentes no Paraguai.
Carros diferentes do Brasil. Muitos carros asiáticos. Para onde se olha, lá está ela: a bandeira do Peru.
Começou a escurecer às 18h30m.
Avenidas largas e trânsito complicado, com muita buzina. Não me pareceu em nenhum momento ser perigoso caminhar a pé por essa região. As coisas eram baratas e claro, local turístico.
Já era noite quando resolvi caminhar de volta ao hotel, sempre apreciando tudo.


Segunda-feira
Acordei 5h30m com o dia nascendo. Liguei a TV num canal de vídeo clips pop rock e analisei melhor a máquina fotográfica que havia comprado ontem. Tomei o café da manhã e sai às 8h para meu segundo dia conhecendo mais dessa cidade. Fui em direção ao Parque Kennedy. Por ali tem muitos cambistas durante o dia. Com uma pequena mochila, roteiro e mapa da cidade nas mãos, resolvi pegar um taxi para o Museo de La Imigracion, já que era distante de onde eu estava. O valor da corrida nunca é fixo, e isso me levou a negociar com o taxista a corrida por US$ 3.00 (10S$) até o centro de Lima. Sentei-me ao lado do motorista. O trânsito caótico. O motorista pra lá de ousado. O papo, já que sou brasileiro, é futebol. Kaká, Ronaldinho e Ronaldo. Nunca tinha estado numa situação dessas. Fiquei morrendo de medo de bater o carro. Olha, é mais emocionante que montanha russa. Fiquei tenso até. É um cortando o outro, buzina que não acaba mais, fininha que sinceramente não sei como não batem (eu bateria). É horrível. Os carros são em sua maioria, batidos e mal cuidados. Os que parecem novos, as vezes são todos pintados, de tanta porrada que levaram. Dá dó ver BMW toda amassada.  

Dia ensolarado. Que prometia ser muito bom para mim. Com minha máquina fotográfica nova, era tirar muitas fotos.
Cheguei ao local antes das 9h e já estava aberto. Entrada franca. Vazio e, sendo assim, excelente para se conhecer com calma e detalhadamente. Lugar excepcional. Muita coisa para ver. Móveis e equipamentos antigos, bonecos de cera muito bem feitos e até um túnel subterrâneo. Saindo dali, logo ao lado, me chamou a atenção o prédio dos Bombeiros e em seu interior, veículos antigos. Na sequência segui em direção ao Mercado Municipal. No caminho, tomei Chicha. O copo custou 1S$. Cheguei ao Mercado Municipal, que é muito parecido com os existentes nas grandes cidades brasileiras. Mas uma coisa a se comentar e que achei, digamos diferente, foram carnes expostas sobre balcões, sem nenhum tipo de cuidado, como refrigeração ou tela contra moscas. Sem dúvida, higiene não é o forte nesse país.
Saí do local, fui caminhando para a Plaza Itália, onde em frente está a sede da Policia Nacional e algumas igrejas bonitas nas imediações. Segui para a Casa de Moneda, museu com entrada gratuita e muito legal de se visitar. Após, com mais alguns passos, lá estava eu visitando e claro, fotografando, o Congresso Nacional. Prédio antigo, muito grande e imponente, cercado por grades e vigiado pelos militares. A entrada para turistas não é permitida. Mas mesmo a distância vale a pena ser visitado para fotos.
Já se aproximava do meio dia e eu decidi, baseado em meu mapa, seguir em direção ao Cerro San Cristobal, No caminho encontrei a Escuela de Bellas Artes, que também visitei. Entrada franca. Nada de muito atrativo e, sendo assim, visita bem rápida. Continuei seguindo o caminho e cruzei a Via Evitamiento. Rio e avenida muito movimentada paralela. Pude perceber que a região estava, conforme eu seguia, se tornando mais perigosa. Também percebi que não conseguiria chegar ao local caminhando e que talvez não valesse muito á pena ir até lá mesmo que de táxi. Observei em meu mapa que por ali ainda tinha a Plaza de Acho. Fui até a frente desta antiga edificação. Ali uma garota, percebendo que eu era turista, me aconselhou a retornar, já que a região realmente era perigosa. Sim, já tinha percebido que ali definitivamente não era um local para ser visitado e segui o conselho. Assim que cruzei novamente sobre a Via Evitamiento, tudo pareceu mais tranquilo e logo já vi o Parque de La Muralla. Local turístico e muito agradável.
Por ali fiquei um tempo e comi uma barrinha de cereais que havia em minha mochila. Fotos, fotos e mais fotos.
Sempre com meu roteiro e mapa nas mãos, segui depois, para Iglesia San Francisco, Casa de La Literatura e Plaza de Armas (foto). 



Tudo bem perto. A Iglesia San Francisco eu havia visitado no dia anterior, mas resolvi estar ali novamente, até porque estava na região onde eu passeava.
Plaza de Armas! Uau, que lugar lindo e movimentado. Com direito as famosas vacas da Cow Parade. Fiquei encantado.
Bem, foi aí, que tirando fotos, se aproximou de mim um cara e pediu, em Espanhol, para eu tirar uma foto para ele. Sim, tirei e depois se ofereceu para tirar para mim. Claro, aceitei. Começamos a conversar. Chamava-se Feliberto (isso mesmo, Feliberto), era da República Dominicana, estudante de psicologia e estava sozinho conhecendo o país.
Como pretendíamos por ali visitar os mesmos lugares, seguimos juntos, e fomos conversando.
Ele conhecia bastante do Peru e foi me contando coisas. Passamos pela Iglesia de La Merced e chegamos a Plaza San Martin. Dali fomos ao Parque Universitário, Palácio de Justicia, Museo de Arte Italiano, Pq Larco Juana de Dammert, Museo de Arte e Plaza Miguel Grau. Isso tudo fica na larga e bonita Avenida Paseo de La Republica.
Por ali ainda conseguimos conhecer o prédio da Defensoria e uma linda igreja.

Bem, já se aproximava das 17h, e iríamos retornar para a Plaza de Armas. Procuramos juntos por lojas que vendessem imãs de geladeira no caminho, já que compro esse souvenir em todo país que visito. Ali foi difícil de encontrar. O que mais se via, até por conta da época, eram produtos natalinos. Nada até o momento. Estávamos com fome e eu sugeri comermos algo. Em uma lanchonete, fiquei com uma fatia de pizza e um copo de Coca Cola por 2,5S$. Ele idem. Repetimos. Ao final, lembrei que havia visto uma boa loja ali perto e que tinha uma variedade boa de presentes e inclusive os tais imãs. E para lá fomos. Consegui alguns presentinhos por US$1.5.
Chegou a hora de cada um seguir um caminho. Trocamos e-mails e nos despedimos. 

Já começava a escurecer e começou a cair uma chuvinha. Por ali mesmo peguei um táxi, com certa dificuldade devido ao horário de “rush” para retornar ao Parque Kennedy, onde iria jantar. Peguei um táxi de um senhor muito legal por 12S$ (US$ 4.00), depois de muita negociação. O táxi era um “bagaço”. Na última curva achei que ia virar um cavalo de pau ou algo pior. Completamente sem amortecedor traseiro. No caminho ele resolveu limpar o para brisa esguichando água. Que situação! Quanto mais tentava limpar, mais sujava. Deu vontade de rir. Bati papo o caminho inteiro com ele. O assunto principal? Futebol, claro. Peruanos adoram futebol e sabem bastante coisa sobre o Brasil.
Já no início da noite, cheguei ao meu destino. Ali não chovia. Como disse, o dia foi muito bom e tirei tantas fotos que as pilhas descarregaram (sem carga). Procurei por ali mesmo um local para comprar. Achei uma banquinha com uma quantidade enorme de pilhas para vender. Em meio a tanta variedade, comprei.
Daí, fui jantar. Me deliciei numa lanchonete com um tradicional lanche de pollo e bebi chicha, por US$ 10.00.

Retornei ao hotel, já no início da noite. Chegando, fui direto ao único computador para utilizar a internet. Tinha um americano utilizando. Enquanto ele utilizava, conversamos um pouco. Willian o nome dele. Um cara legal, que estava ali junto com sua noiva peruana. Ele adorava futebol e esse foi praticamente o tema de toda nossa conversa. Kaká, Ronaldo e um tal “Rondinho”. “Rondinho”? Mas quem é esse? Ronaldinho, claro! O gringo só conseguia falar “Rondinho”!
Bem, depois de alguns minutos se despediu, foi para o quarto e foi minha vez de utilizar o computador. Logo saiu do quarto, pois foi receber uma pizza que havia comprado e estavam entregando na recepção. Não conseguia entender bem o que lhe falavam em Espanhol com um pouco de mistura em Inglês. Veio até mim e me pediu ajuda. Assim o fiz. Voltei ao computador e encerrei o que estava fazendo. Fui tomar banho e, direto para o quarto assistir TV e dormir. Nisso o gringo bateu à porta me oferecendo um pedaço de pizza em agradecimento a ajuda que havia lhe dado. Gesto muito bacana.




Terça-feira
Como sempre, logo cedo, 7h aproximadamente acordei e fui tomar o café da manhã. Assim que sentei-me, para minha surpresa, apareceu o Willian e sua noiva, com as malas. Se conheceram através da internet e era a terceira vez que estava visitando-a no Peru. Estavam de partida para Cusco. Sentaram-se a mesa comigo. Eles estavam com pressa, pois deviam ir para o aeroporto. Tudo muito rápido e se foram.
Entre 8h e 8h30m, sai para meus passeios. Nesse dia, escolhi seguir em sentido oposto ao do dia anterior. Novamente, dia ensolarado.
Fui ao Parque de Lãs Tradiciones. Bonito, limpo, com um guarda e não muito grande.
Depois Parque Pablo Arguedas. No caminho, algumas praças sem muita expressão.
Bem, agora meu destino era chegar ao famoso Shopping Larco Mar, mas antes, percorrer a avenida junto ao Oceano Pacífico, já que sabia que Lima ficava num nível bem mais alto que o do mar (sobre o planalto) e que a vista por ali era linda. Foi entre 30 e 40 minutos de caminhada até chegar próximo ao mar. Novamente atravessei por região um pouco perigosa e deserta, mas sem problema algum.
Daí, já pude ver o Oceano Pacífico lá embaixo (foto). 




A região já era bem melhor e conforme eu caminhava em direção ao shopping, ia melhorando. Lugares muito bonitos no caminho.
Quase 11h e lá estava eu. Shopping maravilhoso, encravado na encosta do planalto, com uma avenida passando junto à praia lá embaixo.
Tirei fotos e aguardei a abertura de um quiosque para comprar o tíquete do trem de ida e volta entre Cusco e cidade de Águas Calientes. Não consegui. Só vendiam no cartão de crédito e eu iria pagar com dinheiro. Estranho não aceitarem dinheiro! Mas reservaram para mim e quando eu estivesse em Cusco, era só pegar e pagar em dinheiro.
Por ali também comprei pilhas para minha máquina fotográfica, por US$ 2.00.

Já passava das 12h e retornei caminhando para o hotel que ficava ali perto, para trocar de tênis, pois estavam machucando meus pés. No caminho resolvi trocar dólares por Soles. Eis q percebi que havia sido enganado ontem. Numa distração minha, me deram uma nota de US$ 10 muito velha e eu aceitei. Ninguém quer isso aqui. Nem nos bancos. Tentei, inclusive. E nada de aceitarem. Daí, achei uma cambista nas ruas que disse aceitar, mas ia desvalorizar bastante. Tive que aceitar.
No hotel, comi barrinhas de cereais que havia levado do Brasil, descansei um pouco e conversei com a proprietária que me aconselhou conhecer o Museo Del Oro.
Ainda no Brasil, um velho conhecido da ANVISA do Aeroporto de Viracopos em Campinas, me sugeriu visitar esse tal museu, quando fui fazer minha carteirinha internacional de vacina. Aceitei a sugestão dela e às 13h30m fui. Peguei um táxi por 10S$. A conversa com o motorista, futebol. É só dizer que sou brasileiro e pronto: o papo é futebol! Após aproximadamente 30 minutos, chegamos. Comprei o ingresso por 33S$. Lugar muito bonito, com muita coisa legal para ser vista. Em seu interior é proibido tirar fotos, mas consegui tirar algumas. Tinham alguns turistas visitando o local também. Peruano não vai porque é caro pra eles. O salário mínimo no Peru equivale aproximadamente a US$ 150.

Pouco depois das 15h, sai. Valeu à pena.
Na volta, não peguei táxi em frente ao museu. Como somos turistas e saímos do museu cobram caro. Fui para uma avenida pertinho e peguei o táxi. São baratos nesse país. Porém agora decidi, para agilizar, já descer em Huaca Pucllana, que fica perto do Parque Kennedy. Paguei 10S$. O trânsito estava pior nesse trajeto de volta.
Huaca Pucllana são ruínas de cidade. Só é permitido entrar em uma pequena parte desse local. Hiper interessante também e rápido de ser visitado.

Aproximadamente 16h30m e segui rapidamente em direção á costa, pois ainda faltavam alguns locais a serem visitados, incluindo chegar ao Pq. Maria Reiche, ainda na parte de cima do planalto, mas junto à praia.
No caminho, passei por um bonito prédio chamado Immaculado Corazon e pela Plaza Centro América.
Finalmente chegava ao Parque Maria Reiche. Lindo e com muitas pessoas. Crianças brincando e jovens de bicicleta e skate. Depois de um tempo apreciando o local, resolvi descer uma enorme escadaria que me conduziria ao mar. Aproximadamente 17h30m e lá estava eu caminhando sobre a praia de pedras (não é areia) para tocar nas águas do Oceano Pacífico.
Alguns minutos depois, iniciei minha cansativa subida da escadaria. Lá na parte de cima segui conhecendo o Parque El Faro, Parque Antonio Raimondi (com mais vacas da Cow Parade) e o famoso Parque del Amor. Na verdade existem esses vários nomes, mas é como se fosse um único parque na parte de cima do planalto, margeando o penhasco.
Como já passava das 18h e a noite já se aproximava, era hora de ir para o Parque Kennedy, que ficava bem próximo ao hotel que eu estava hospedado, para enfim jantar. No caminho ainda passei pelo Malecon de los Franceses, que é um clube encravado num vale. Das ruas que eu caminhava, conseguiu ver o clube na parte de baixo e claro, tirar fotos.

Como ainda não havia escurecido ainda pude desfrutar mais um tempo do Parque Kennedy. Depois, achei um mercadinho minúsculo. Comprei um folhado por 1.5S$, uma torta de verdura e ovo por 1.5S$  e uma famosa Inca Cola, que estava com vontade de experimentar por 1.2S$. Sentei-me no Parque e comi.
Hoje tentei na parte da manhã e também a noite ir ao Parque Reducto, mas estava fechado.
Em Lima vi muitos taxis e ônibus mal cuidados e muitos carros à venda rodando pelas ruas. Na rua vendem alimento, mas não com muita higiene. No Parque Kennedy tem muito gato. Vi dois caras com camisa da seleção brasileira, mas eram peruanos. 
Nisso já era noite. Me restava então, me dirigir para o hotel, pois na madrugada seguinte sairia meu vôo para Cusco. Ainda consegui tirar algumas fotos do interior da igreja.




Quarta-feira
Conforme havia combinado com a recepção, me acordaram às 3h30m para ir ao aeroporto, de onde embarcaria para Cusco. A meu pedido, já haviam me providenciado táxi também. Às 4h fui para o aeroporto, conforme programado, pagando pela corrida, 45S$.
Cheguei, fiz o “check in”, paguei US$ 6.00 de taxa de embarque e embarquei às 5h45m para a cidade de destino. Vôo lotado e tranquilo de 1h20m num confortável Air Bus da TACA, cuja passagem já havia comprado pela internet.
Pouco depois das 7h10m e lá estava eu desembarcando. Peguei imediatamente um mapa da cidade e um táxi para me levar até a região da Plaza de Armas por US$ 2.00. Distância razoável, que não é percorrível a pé, devido à longa distância. O motorista me levou ao Hostel La Posada Del Viajero (Santa Catalina Ancha, 366), onde acabei ficando em um bom quarto individual com banheiro e sem TV por duas noites a US$ 15.00, sem café da manhã. Esse motorista me disse que era guia de turismo também e que me transportaria pela cidade sempre que eu precisasse e me venderia boletos turísticos. Com ele já comprei meu city tour para o período da tarde (saída ás 14h) por US$ 2.00 e boleto turístico com direito a vários lugares por 130S$. A exceção seria o ingresso que compraria na entrada por 10S$ para visitar Qorikancha.

Bem, como não havia conseguido comprar o tíquete do trem de Cusco para Águas Calientes pela Peru Rail (ida e volta) categoria backpacker (Vistadome é mais caro e não vale a pena), meu primeiro objetivo era fazer isso e, esperando pelo horário do city tour, passear o máximo possível pela cidade.
Com o mapa na mão, percebi que poderia ir caminhando até a estação de trem sem problemas, até porque estava um dia de sol fraco e temperatura por volta dos 16ºC. Passei em uma lojinha e comprei uma garrafinha de água por 1S$, pois estava com sede.
Então, assim se iniciava meu passeio. Passei pela Catedral na Plaza de Armas e desci pela Avenida Del Sol, sempre apreciando tudo e tirando fotos. Cheguei à estação ferroviária e comprei as passagens de trem por US$ 96.00.
Retornei pela mesma avenida, comprei bolo e bolachas para café da manhã para os dois próximos dias e mais 2,5 litros de água, tudo por 5S$. Como era pertinho, passeio pelo hostel e deixei lá.
Mais ou menos 9h e lá estava eu, iniciando meu passeio a pé por Cusco: Centro Histórico, Iglesia San Blas, Museo de Arte Pré Colombiano, ...

De repente, minha máquina fotográfica parou de funcionar! O que? Mas como? A máquina era novinha! Pilhas novas! Não era possível! Fiquei ao mesmo tempo bravo e chateado. Afinal, já tinha gastado uma boa grana comprando-a e seria a segunda máquina que eu tinha com problemas.
Bem, pensei em comprar outra, a mais barata possível, sem marca, num canto qualquer, ... Resolvi retornar ao hostel e lá conversei com o rapaz da recepção que orientou a ir a um grande mercado perto da rodoviária. Me disse que lá encontraria o que procurava.
Já se aproximava das 12h e assim o fiz. Peguei um táxi e fui. Lá, não encontrei uma máquina digital por uma bom preço. Depois de muito andar, encontrei em uma banquinha, máquina fotográfica descartável com filme de 27 poses embutido. Pensei por um tempo e resolvi comprar 4 máquinas dessas por um valor total de 28S$. Olha, já que as máquinas digitais estavam contra mim, o jeito era tentar obter sucesso com as antigas de filme de rolo mesmo. Caso contrário, ficaria o restante da minha maravilhosa viagem sem poder registrar locais e momentos.
Já que estava ao lado da rodoviária, aproveitei para comprar pela Empresa Ormeño, por 30S$ em ônibus semi cama, minha passagem (para sexta-feira, saída às 22h e chegada prevista para 5h) para Puno.
Isso feito, rapidinho peguei um táxi de volta ao hostel, pois já se aproximava das 14h, que era o horário de partida do city tour. Claro que chateado pelo acontecido.
As 14h e o city tour se iniciou. Começou por Qorikancha, onde comprei o ingresso a parte, conforme já comentei. Museu muito grande e com muita, mas muita gente visitando mesmo. Como me restavam 4 máquinas fotográficas com 27 poses de filmes para registrar todo o restante de minha viagem, planejei que a partir dali, iria tirar poucas fotos.
À essa hora a temperatura já estava alta. Seguia com o grupo de turistas e em uma das paradas para explicações da guia, resolvi tirar a parte de baixo de minha calça bermuda, devido ao calor. Tirei de uma das pernas e antes de começar a tirar a da outra perna, o grupo voltou a andar. Fui caminhando lentamente e ao mesmo tempo tentando tirar o restante. O grupo se distanciou e estava quase perdendo-os em meio a multidão que ali estava. Daí, resolvi apressar-me em retirar essa parte da calça que faltava. Eis a surpresa: o zíper quebrou! Mas era só o que me faltava. Se não me bastasse o episódio da máquina fotográfica, agora estava com problemas com o zíper quebrado da calça, que a essas alturas, tinha virado tão somente uma bermuda. Ah, mas não era possível que tudo estivesse dando errado nesse dia. Será que ainda me faltaria algo a acontecer de desagradável?
É, só me restava me aproximar do grupo e seguir o passeio.
Seguimos de ônibus para Saqsayhuaman (foto). 



São ruínas de cidade antiga no alto de um morro, de onde avista-se Cusco abaixo. Local, como os demais, maravilhoso. Pena a minha até então limitação em tirar fotos.
Era aproximadamente 15h e o sol já ficava encoberto por nuvens e a temperatura começava a baixar. Visita de aproximadamente 30 minutos.
Seguimos para Q'Enqo. 16h e lá estávamos. Bem, evidentemente local bonito, eu limitado nas fotos e daí a coisa complicou de vez. Começou a chover com pouca intensidade e a temperatura realmente caiu. Não vamos esquecer que a minha calça bermuda, devido aos acontecidos, tinha virado de fato uma bermuda. É, até dava para tranformá-la em uma calça de uma perna só, mas já bastava a tristeza com tudo que me havia acontecido! Servir de risadas e passar ridículo, não!
Após rápida visita, fomos para Puka Pukara. Aqui a chuva já se fazia mais constante e eu percebi que, apesar de ainda faltar um local a ser visitado, meu city tour chegava ao fim.
Consegui descer rapidamente e tirar uma única foto.
17h e o último passeio era Tambomachay, debaixo de chuva. Nem me arrisquei a descer do ônibus. Não demorou mais que 15 minutos e os poucos destemidos turistas que se aventuraram nesse local, retornavam.

Durante todo o percurso de ônibus, tive que sentar do lado de uma Peruaninha. Porca é pouco pra ela. Fedia! Hoje quem tentou puxar papo comigo não teve reciprocidade nenhuma. Ah, teve gente que passou mal (vomitou) por causa da altitude e eu nada. Aliás, até aqui não tive problema algum com a altitude.
A mistura de um certo cansaço e chuva nos fez rumar de volta. Mas nesse retorno, paramos em uma loja/ restaurante bem rústico na estrada. Ali muitos fizeram algumas comprinhas e para todos foi servido chá de coca quente. Ah, que delícia.
Mais ou menos 18h e já estávamos de volta a Cusco. Ao descer do ônibus, pisei sem querer num vomito. Fui direto para o hostel. Ah, depois de tudo que havia acontecido nesse dia, realmente essa seria a melhor opção.

Cheguei, tomei banho e resolvi que iria jantar. Na saída conversei com o rapaz da recepção. Era o mesmo que ainda na parte da manhã havia me indicado o mercado para compra de máquina fotográfica. Um cara legal. Conversando me indicou um lugar ali pertinho que, segundo ele, era o melhor da cidade para reparos em máquinas fotográficas. Resolvi contar-lhe resumidamente o acontecimento que me tinha feito ganhar forçadamente uma bermuda. E ele ainda me disse que poderia levar essa minha roupa para a mãe de um amigo que era costureira e cobrava barato por reparos. Consertada ou não, me traria no dia seguinte. Bom, não!? Voltei ao meu quarto e peguei a roupa, que entreguei a ele e a máquina fotográfica, que levei imediatamente a loja.
Pouco antes das 20h. Na loja, me disseram para retornar às 21h30m. Já adiantaram que qualquer conserto sairia por US$ 60.00 e se não efetuasse reparo e ela estivesse quebrada, custaria US$ 10.00. Aceitei e assim ia fazer.
Saí da loja e fui jantar. Não almocei, mas jantei um caldo legal e arroz a cubana, num bom restaurante por 5S$.

Pouco depois das 21h e eu retornei a loja. Ah, ali fiquei muito feliz. Já vieram me atender com a máquina na mão e me dizendo que ela não tinha problema algum.
O que? Mas como podia ser isso?
Sim, me mostraram as pilhas que eu havia comprado em Lima, me dizendo que eram de qualidade muito ruim. Me instruíram a não usar mais aquela marca de pilhas e me mostraram e aconselharam a usar pilhas de litium, por serem excelentes e de enorme vida útil.
Pasmo e muito contente, questionei sobre o valor do serviço. E a resposta me surpreendeu: não havia custo! Perante essa situação, resolvi comprar ali mesmo as pilhas de litium, até como forma de retribuição a tudo. Paguei 23S$. Caro! Caro? Que caro que nada! Perante tudo que aconteceu, barato!
Muito contente, retornei ao hostel. Fui direto para o computador, já que ninguém estava usando. Uma porcaria. Pouco consegui usar. Fui dormir.
Cusco fica num vale. Tipo a cidade de Campos do Jordão/ SP. Muitas das construções são parecidas com a cidade de Paraty. As pessoas ficam te empurrando coisas pra comprar. De tudo. Óculos, chiclete, blusas, ...
Tem gente que caminha com traje típico e lhama. Pra gente tirar foto junto é claro, tem que pagar (foto).

Quinta-feira
Acordei antes das 5h. O sol nascendo. Arrumei minhas coisas e já saí para bater perna, pois o meu passeio do dia, ao Vale Sagrado, só sairia as 8h30m. Então aproveitando minha máquina fotográfica, fui tirar fotos e conhecer lugares por perto. Aproveitei para comprar pilhas alcalinas 2S$, comi um docinho por 1S$ e já comprei 6 bolinhos para comer no almoço do dia seguinte por 4,6S$.
Retornei ao hostel e já estavam me esperando para o passeio.
No horário mencionado, saímos. No caminho, que é maravilhoso, paramos em um local onde tinha muita coisa para vender. Aproveitei para tirar fotos.
O Valle Sagrado de Los Incas é lindo. Indo para Pisac (foto), paramos em um vilarejo, com uma enorme feira. Muito bacana. Por ali ficamos aproximadamente 30 minutos.


Depois, continuamos seguindo. Enfim, chegamos. Uau! Que lugar! Ruínas de antiga cidade peruana em uma montanha. Valeu cada passo dado e foto tirada.
Quase hora do almoço e chegava a hora de todos desfrutarem de um belo almoço incluso no preço, em um outro vilarejo próximo chamado Urubamba. A comida estava tão gostosa, que acabei repetindo. “Self service”.
Já passava das 13h e fomos para Ollantaytambo. Indescritível o lugar.
Depois fomos para Chinchero. No caminho, consegui ver montanhas com os cumes cobertos de neve. Local bonito também, mas sinceramente, depois de ter visto tão belos lugares, esse ficou um pouco sem graça. Aqui visitamos um local onde peruanas demosntraram como fazem as suas roupas típicas, inclusive com o tingimento de várias cores.
De volta a Cusco, fui jantar no mesmo local da noite anterior.
Retornei ao hostal e lá estava o rapaz da recepção que havia levado minha calça para reparos. Imediatamente me entregou-a consertada. Feliz da vida, paguei-lhe 6S$.
Fui para o quarto. Como tinha minha máquina digital funcionando, resolvi dar-lhe 3 das 4 máquinas que havia comprado de presente. Uma delas eu já tinha tirado algumas fotos. Depois de todas as fotos possíveis tiradas, guardaria para revelar assim que retornasse ao Brasil.
Entreguei o presente a ele e fui dormir.




Sexta-feira
Acordei, tomei meu café comprado em um supermercado. O guia veio me pegar no hostel. No dia anterior tinha verificado valor. Paguei caro pela ida até a estação de trem. US$10.
Parti de trem as 7h40m. Tudo muito pontual. Sentei-me ao lado de uma mãe e duas filhinhas da Austrália. A viagem durou 3h40m. O trem percorre um vale, sempre ao lado de um rio. Maravilhoso. Plantação e criação só no vale. Nas montanhas, hiper altas, nada. Até neve no alto de montanha dá pra ver. Chegamos as 11h10m em Águas Calientes, que é um vilarejo no vale, quase na base da montanha onde está Machu Picchu (foto). 





Sai da estação e já fui comprar a passagem de ônibus que me levaria ao meu destino. São muitos ônibus estacionados que partem a todo instante. Valor da passagem, US$14 ida e volta. Pode-se subir de ônibus em 15 minutos ou a pé em 1h30m. Chegando lá, comprei o ingresso por US$ 43.00 (124S$). Peguei um mapinha do local e já iniciei a caminhada. Pouco antes das 12h. Nossa, que lugar maravilhoso.  Sobe e desce alucinante. Já com muita fome, as 12h30m achei um canto onde não passava ninguém e comi os 6 bolinhos que tinha levado para almoçar. Tem muita placa dizendo que é proibido alimentar-se em Machu Picchu, mas na entrada ninguém verifica as mochilas.
Continuei andando até 14h30m. Depois de ter nadado por quase todos os lugares, resolvi encerrar o passeio ali. Peguei o ônibus e retornei à Águas Calientes, por onde ainda deu uma rápida voltinha. Fui para a estação, comprei água por 2S$ e embarquei as 16h43m. A viagem de ida foi muito linda. A volta cansativa e chata. Chegamos às 20h na estação em Cusco. Logo vi ônibus que conduzem os turistas até a Plaza de Armas por um valor bem abaixo do que eu tinha combinado com o guia. Tinha combinado que me esperariam e me levariam para o hostel e na sequência para a rodoviária. Pensei em despistar o guia, mas nem deu. Mal pisei pra fora da estação ele já gritou meu nome. Nessa tive que desembolsar mais US$10.00. Bem, fazer o que!? Pelo menos era um bom serviço VIP e não iria me preocupar em ainda ter que pegar um taxi do hostel para a rodoviária.
Já na rodoviária, fui confirmar a viagem e jantar. Para jantar, como tinha 1h aproximadamente, resolvi comer nas imediações. Encontrei um restaurante logo ao lado da rodoviária, com bons preços. 


Entrei e já parecia estar fechando. Fiquei ali mesmo e paguei 2,5S$. O senhor proprietário disse que era pouca comida. Arrisquei. Mas foi o contrário. Bastante comida e, boa. Retornei para a rodoviária e estava temeroso pelo ônibus ser legal ou não.
22h e nada do ônibus encostar. O tempo passando e fui ficando preocupado. De repente chegou. Pois não é que encostou um ônibus melhor do que eu esperava!?
Embarquei e quando me ajeitava para sentar chegou um casal e disse que ali era o lugar de um deles. Nem dei bola. Na sequência chegou o rapaz que me vendeu a passagem e disse que poderiam se sentar em outro lugar, já que o ônibus não estava lotado.
Bem, aqui vale uma observação, já que nunca tinha visto nada parecido: assim que me sentei começou um entra e sai danado; entrou um cara para dar instruções de segurança sobre a viagem; daí filmou um por um; entrou outra pessoa e fez contagem; daí, outro que conferiu passagens; mais, que fez a recontagem; entrou outra pessoa e conferiu passagens de novo; como se já não fosse o bastante, entrou mais um cara e contou de novo. Ahhhhh!
Acabamos saindo as 22h50m. Quando começou a viagem, veio funcionário da empresa de ônibus oferecendo cobertor. Ninguém sentou-se ao meu lado. Durante a viagem, algumas luzes do ônibus acesas e fez frio. Pedi que me avisassem quando chegasse a Puno, já q esse ônibus ia pra La Paz.  Dormi.




Sábado
Pouco antes das 5h e acordei. Já estávamos chegando em Puno. Troquei de roupa, me agasalhei pois estava bem frio e já vieram me avisar que era meu ponto final. Só eu desci. Parecia ser um ônibus clandestino. Parou fora da rodoviária. Loucura total. O dia estava clareando. Chegando em Puno, resolvi cortar o passeio por Copacabana. Resolvi entrar na rodoviária, pesquisar e já comprar minha passagem para La Paz para o mesmo dia. Depois de muito pesquisar, encontrei uma empresa com bons preços e horários. Paguei US$ 8.00. Ali mesmo comprei o passeio para a Ilha dos Uros, por US$ 7.00. Era o lugar que eu queria visitar ali em Puno.

Aproximadamente 5h45m e o passeio sairia as 8h30m. Então deixei minha mochila ali na rodoviária (no guichê) e fui caminhar beirando o Lago Titicaca. Já tinha amanhecido. Fui caminhando até o porto, sempre beirando o lago. Resolvi voltar e adentrei um pouco na cidade. Encontrei uma feira de rua enorme. Ali tomei suco de Quinua. Delicioso, mas higiene zero. Voltei para as margens do lago e fui em direção a rodoviária, que fica junto a esse. Como tinha tempo, passei por ali e continuei andando. Olha, andei bastante beirando o lago. Tem um calçadão muito bonito, mas a cidade é horrível. Nojenta até. As pessoas urinam e defecam pela rua mesmo. Nunca tinha visto isso. As margens do lago são imundas. Muito lixo. Estacionam veículos (carros, ônibus, ...) por ali e os lavam com água de esgoto. Vi um casal lavando um monte de vasilhas iguais nas águas do esgoto. Como estava com vontade de urinar e tudo ali é uma grande sujeira, não tive dúvida: urinei no Lago Titicaca! Hihihihihi!
Voltei para a rodoviária por volta de 8h. As pessoas que agora estavam no guichê da empresa de ônibus onde comprei minhas passagens e tinha deixado minha mochila guardada eram outras. Um desses caras percebendo que eu era brasileiro, me pediu para ensinar Português para ele.
Já passava bastante das 8h30m quando o guia do passeio passou para me pegar. Fomos de taxi para o porto, onde eu estivera há pouco.

Mais de 9h e embarcamos num barco bacana. Bastante gente. Vários turistas amigos de Cuba que faziam bastante barulho. Pessoal chato! Meia hora adentrando o lago. Chegamos à primeira ilha dos Uros (foto). 

Toda feita de Tora Tora. Hiper bacana. Ali ficamos um bom tempo. Deram explicações (óbvio que muito é teatro). Mostraram como se constrói as ilhas. Comi Tora Tora e pão que fazem. (Tudo incluso no valor pago pelo passeio). Pois é, Tora Tora é comestível. Parte dos turistas embarcou num barco típico para ir a uma segunda ilha. Eu e uns 8 fomos no barco que havia nos conduzido até ali. A segunda ilha, legal também. Retornamos ao porto às 12h e me deixaram na rodoviária. Cubanos chatos, mas o passeio foi fabuloso!
Fui almoçar fora da rodoviária. De novo paguei 2,5S$ por um almoço bem servido. Comprei algumas coisinhas para comer durante a viagem e gastar as poucas moedas que me sobraram. Gastei US$ 1.00.
Daí embarquei 14h30m num ônibus ruim e sem banheiro. Sentei-me do lado de uma estranha que ria de tudo. Mal iniciou a viagem e ficamos presos em um enorme congestionamento. Perto de Puno a estrada é de terra e ruim. Demorou um pouco e continuamos. Logo a estrada ficou boa, mas o motorista não corria. Detalhe: ali na frente vai o motorista e mais 2 caras que trabalham para a empresa.

Passava um pouco das 16h30m quando o ônibus teve que parar para que uma garota e um rapaz pudessem descer para urinar.
Eu estava apreensivo em relação à travessia na fronteira. Tinha lido na internet relatos de turistas alertando para o fato de policiais que tomavam dinheiro de turistas. No final da tarde, 17h30m aproximadamente, chegamos à fronteira. Já tinha em minha mente tudo que deveria fazer, mas foi tranquilo. Desci e juntamente com os demais, já me dirigi para carimbar minha saída do Peru. Dali, a pé mesmo, já fui encaminhado para o lado Boliviano para pegar o visto de entrada naquele país. Os policiais da Bolívia eram idiotas. Depois dos tramites, ingressei no país por volta das 18h. O ônibus com minhas coisas já havia cruzado a fronteira e nos aguardava. E a viagem sofrida continuou. Paramos rapidamente para troca de motorista e seguimos. Logo chegamos à Copacabana. Ainda estava claro. Antes de decidir rumar de Puno diretamente para La Paz, tinha planejado ficar um dia nessa cidade à beira do Lago Titicaca. É uma cidade turística. Aqui muitas pessoas desembarcaram e outras tantas estavam embarcando. Aproveitei para ir ao banheiro. Conheci um brasileiro que estava viajando sozinho. Trocaríamos de ônibus e decidi retirar minha pequena mochila com algumas coisinhas para comer e água de dentro de minha mochilona. Excelente idéia, já que nesse ônibus, tive que colocar a grande no bagageiro do teto. Depois cobriram todas com uma lona plástica. Esse ônibus era horrível  e sem banheiro também. Consegui sentar sozinho em uma poltrona bem na parte do fundo do ônibus. Já estava escurecendo. Saímos e aproveitei para comer bolachas que tinha comprado em Puno com algumas moedas que tinham me restado. O rapaz que eu havia conhecido sentou-se mais para a frente.

O cansaço já era grande e a viagem prosseguia. Começou a chover e fazer frio.
Chegamos num local (vilarejo) e tivemos que descer do ônibus pra atravessar de balsa. Tinha que pagar 1.5B$. Mas eu não tinha trocado dólares por bolivianos. Foi então que o brasileiro que eu tinha conhecido em Copacabana me ajudou. Pagou para mim. Passava das 20h30m e entramos no barco que nos conduziria pelas águas. Fomos conversando, então. Do outro lado, pegamos novamente o ônibus e continuamos em direção a La Paz. Ah, mas parecia que quanto mais viajávamos, mais estava distante a tal cidade. Tentei dormir. Perto das 23h, enfim, chegamos. Desembarcamos na rua lateral da rodoviária, debaixo de chuva. Combinamos de ir juntos procurar um local para dormirmos. Ele disse estar com nomes de hotéis bons e baratos. Tivemos que ir caminhando, pois os taxistas pediam muito caro para nos levar. Imagine só: chuva, frio, noite, uma cidade estranha, ... Caminhamos e pedimos informações. Não achamos os locais que queríamos. Acabamos chegando a um hotel, na Calle Sagarnaga, quase esquina com Calle Illampu, muito bom e com excelentes preços. A localização maravilhosa. Nos hospedamos juntos num quarto para 2 sem banheiro, por 35B$ cada um.
Quase 1h e fomos dormir. 





Domingo
Bem, acordei antes das 7h30m que era o horário do café da manhã.
Logo após meu amigo acordou e, enquanto arrumávamos nossas coisas, conversamos bastante. Me disse que trabalhava como contratado da FUNAI no Amazonas, na divisa com a  Colômbia e estava de férias retornando para o Brasil de ônibus, num caminho semelhante ao que eu já tinha feito. A intenção era passar o Natal com a família.
Depois de termos tomado café da manhã, que é “racionado” (servem na mesa tudo na quantidade que acreditam ser ideal para o hóspede), peguei um mapinha na recepção e fomos para a rodoviária. Ele comprou passagem para as 17h, com destino Sta. Cruz de la Sierra. De lá seguiria até Uberlândia.
Aproveitando que encontrei na rodoviária um guichê com taxas boas, troquei dólares por bolivianos. Na sequência pesquisei e comprei também minha passagem de ida para Uyuni para 22/12/09, Terça-feira, as 19h por 100B$, depois claro, de negociar o desconto. Estava um pouco assustado com os ônibus que tinha visto até então. A passagem é para um ônibus comum (convencional). A previsão de chegada é para 7h do dia seguinte.

Como o ônibus dele só saia às 16h, fomos caminhar juntos. Iniciamos a caminhada mais ou menos 10h. Ele resolveu tomar uma vitamina em uma banquinha de rua e eu tomei um suco de uva, muito gostoso por sinal, por 3B$. Daí fomos ao Mercado das Bruxas, onde se concentram lojas para compra de presentes. Depois, seguimos o roteiro de passeio que eu tinha comigo. Plaza de los Heroes e Iglesia San Francisco, na Avenida Mariscal Santa Cruz, bem pertinho do hotel onde estávamos hospedados. Daí fomos para a Plaza Murillo, Catedral (foto) e Palácio Legislativo. Rumamos para o Cerro Killi Killi, que fica dentro da cidade. Fantástico. Vista de grande parte da cidade. La Paz é uma cidade grande, cravada em um vale com construções que avançam morros acima. Repleta de jardins e praças. 

Lá pelas 14h30m nos despedimos e ele retornou ao hotel pra pegar as coisas e embarcar.
Olha, estar esse pouco de tempo com o cara foi legal. Pessoa bacana e que falava Espanhol fluente, pois além de ir muito para a Colômbia, já tinha morado na Espanha.
Eu segui o meu roteiro e acrescentei alguns outros locais, já que tinha um mapinha comigo. Fui para a Plaza Tejada Sorzano, Plaza Uyuni, Stadium e dali para o Parque Mirador Laikakota. Ah, mas nesse último, fui obrigado a ficar um bom tempo. Adorei tudo ali. Parque lotado, lotado. Comi um doce que vi vendendo por ali. Gelatina num copo plástico com uma grande quantidade de chantilly por cima. Delicioso!
Pena que a hora passa muito rápido nessas situações.

Resolvi voltar para perto do hotel, passando pela Plaza Isabela Católica e Plaza Ávora. Em frente a essa, tem um presídio. Seguindo em direção, agora, a Plaza Del Estudiante, encontrei as Embaixadas do Brasil e do Paraguai. As ruas e avenidas não estavam muito movimentadas. Já estava bem cansado, mas passei pela Plaza Sucre e depois, Avenida 16 de Julio. Linda e aí, sim, movimentada. Ponto turístico, com comércio. Final de tarde e ainda devia procurar uma agência pra fazer os passeios nesses dois dias que ainda teria pela frente na cidade. Achei uma perto do hotel, na Calle Illampu. Comprei somente o passeio de Segunda-feira, para Tiwanaku e Pumapunku, por 50B$, que são sítios arqueológicos. Fiquei com medo de comprar para ambos os dias e me darem "o cano". Daí fui comprar algo pra comer no dia seguinte no almoço, já que não estava incluso nesse passeio. Bem, já que a fome era grande, resolvi jantar pela rua. E escolhi comer em uma banquinha. Paguei 6B$ por 2 hamburguers. Aproveitei para comprar uma garrafinha de água por 2,5B$ e um pacote de bolacha por 4B$.
Exausto, retornei ao hotel e fui direto ao computador para ver e escrever e-mails. Tem horários definidos para se utilizar o computador. Enquanto escrevia, alguém mudou o canal da TV que ficava perto e percebi que estava na Globo, pois escutei a voz do Faustão. Vixe!




Segunda-feira
Acordei antes das 4h, pois iniciaram trabalhos na rua. Como pode? Exatamente. Recolocação de paralelepípedos na rua.
Mais tarde, tomei café da manha e aguardei pelo guia pra fazer o passeio, que seria por Tiwanaku (foto) e Pumapunku, a mais ou menos 70 km de distância. 






Aproximadamente 8h30m e vieram me buscar. O dia tinha amanhecido frio e nublado, ameaçando chuva. Fomos pegando gente no trajeto em diversos hotéis. Pessoal da Holanda, Itália, Rep. Tcheca, Brasil, ...
Tinha um casal legal de São José dos Campos/ SP.
Era uma van e ficamos apertadíssimos. Bem, o que mais tem aqui é van. Nunca vi tanta.
Passamos por lugares feios no caminho. Muito cachorro pelas ruas. A bagunça é grande. O frio foi aumentando e começou a garoar. Depois, chuviscar. Mas não atrapalharia o passeio.
Depois de quase 2h, chegamos.
 

Os lugares aqui mencionados são ruínas de antigas cidades e ficam praticamente um de frente com o outro. Em Tiwanaku visitamos o Museo Lítico. Para entrar, paguei 80B$. Muito legal, mas só consegui tirar uma foto duma múmia. Por aqui não pode tirar foto em museu. Visita de 1h. Saímos e fomos visitar as ruínas. Nessas ruínas o frio aumentou. O frio era tanto que em determinado momento, estava difícil abrir a boca para falar. Um brasileiro me perguntou uma coisa e quase não consegui responder. Muito, muito frio mesmo! Nisso já era por volta de 12h. Saímos dessas ruínas e fomos para Pumapunku. Também ruínas, particamente ao lado das já mencionadas. Adentramos e eu decidi comer as bolachas que havia levado comigo. Era meu almoço. Visita rápida e levaram todos para almoçar. Como eu já tinha comido, não entrei no restaurante. Algumas outras pessoas também fizeram semelhante.

 pelas 14h retornamos numa viagem de 1h. Fui para o hotel, depois trocar dólares (US$120), comprar o passeio do dia seguinte para Chacaltaya e Valle de La Luna por 50B$, andar pelo comércio, comprar água 2,5B$ e comer um chocolatezinho de banquinha na rua por  0,50B$.
Fui então ao Museo da Coca, situado na Calle Liñares,também perto do hotel onde eu estava hospedado. A entrada me custou 10B$. Lugar pequeno e cheio de turistas. A visita foi super rápida, durando 30 minutos, mas é muito bacana.
Na sequência, nas banquinhas que existem em todos os lugares por ali, jantei 2 empanadas (1B$ cada) que são estranhas e na volta já comprei 3 pedaços de bolo pra comer amanhã no almoço (1B$ cada).
De volta ao hotel, fui obrigado a tomar um banho pela metade. Estava muito frio e a água não ficava aquecida. Já era meu terceiro dia e a água do chuveiro sempre fria.
Nessa tarde, enquanto caminhava, infelizmente encontrei alguns dos Cubanos que conheci em Puno. Disseram que estão pagando 20B$ por pessoa num hostel. Eu pago 35B$. Mas o valor que pago é bom, já que eu fico em um quarto individual e eles em quarto coletivo.
Meus olhos estão muito vermelhos e com um pouco de dor de barriga. A cama do quarto é ruim, mas dá pra dormir.
Essa cidade me lembrava muito do Peru e Paraguai; tem camelô para todo lugar; usam muitas vans para transporte coletivo de pessoas; a pobreza impera, mas a violência não; ao amanhecer o frio é intenso mas no decorrer do dia a temperatura esquenta; há algumas noites chovia pelo que constatei e me falaram; tem muito mendigo pelas ruas; as pessoas não prezam pela higiene e muitas usam roupas sujas; tenho usado somente minhas calças bermuda que são muito práticas com essa variação grande de temperatura; não estou usando um dos tênis que trouxe comigo pois já me machucou bastante os pés (mesmo com duas meias por pé) e finalmente, estou adorando tudo!!!



Terça-feira
Após o café da manhã, retornei ao quarto para arrumar as coisas e me aprontar para o dia. Como sabia que enfrentaria baixas temperaturas no Chacaltaya, já me preparei colocando duas calças, dois pares de meia e duas blusas. Parece exagero? Vai perceber que não!
Daí desci até a recepção para fazer meu “check out” e paguei 105B$. Logo na sequência, as 8h30m, chegou a guia para os passeios do dia. O dia tinha amanhecido frio e chuvoso, como os anteriores. Mas já sabia que isso iria se resumir as primeiras horas apenas. Embarquei em uma van, onde estava o casal de São José dos Campos/ SP que fizeram os passeios do dia anterior comigo. Eram pessoas legais. Viajamos por aproximadamente 1h30m, para percorrer os 30 km de distância. No início saindo de La Paz, depois por uma estrada num planalto muito bonito e por fim em estrada de terra. Quando iniciamos a subida ao Chacaltaya, já pude ver a enorme beleza do lugar. Este pico fica a 5.421 m de altitude. Conforme íamos subindo a estradinha ia piorando e a neve começou a se fazer presente. Uau, nunca tinha estado em contato com neve antes. Fiquei muito animado. A temperatura evidentemente ia diminuindo. Depois de muito subir, por estrada estreita e íngrime, chegamos a uma antiga estação de esqui de maior altitude no mundo, a 5.395 m, ponto final da van. Minhas coisas ficaram na van. Frio, muito frio! Fazia tempo que não enfrentava temperaturas tão baixas. Dali, ainda nos restava uma longa e penosa caminhada até o cume da montanha. Ficamos nesse ponto por alguns minutos e lá fomos nós. Nunca tinha experimentado uma sensação dessas. Chão coberto pela neve que caia em grande quantidade. Sensacional! Para se dar um passo morro acima era muito difícil. Parecia que cada perna minha pesava uns 50kgs. Além de estarmos muito, mas muito acima do nível do mar, a neve dificultava tudo. Alguns sentiram o efeito da altitude e esse não foi meu caso. Eram de 3 a 5 passos e tinha que parar para descansar. Ar rarefeito. Olha, percorremos a pé pouco mais de 200 metros em aproximadamente 40 minutos.
Mas sem dúvida valeu muito a pena. Fantástico.

O casal que mencionei não conseguiu completar a subida. Logo após iniciarem, a garota desistiu e isso fez com que o rapaz também desistisse.
Foram 30 minutos tirando fotos, brincando com a neve e apreciando o visual. Depois, em alguns poucos minutos, descemos todos.
12h mais ou menos e na estação de esqui abandonada, comi o que havia levado comigo.
13h e retornamos para La Paz, agora para visitarmos o Valle de La Luna (foto).



 14h30m e lá estávamos, agora sob sol relativamente forte. Que mudança radical na temperatura. Também gostei muito desse lugar. Nem todos pareciam animados, mas eu como sempre, estava. Comprei meu ingresso por 30B$, aproveitei um bebedouro ali e enchi meu cantil de água. Existe um percurso a seguir. Claro, o fiz.
Passava um pouco das 16h quando o passeio terminou. Desci próximo ao hotel e aproveitei o final da tarde para comprar um pacotinho de chocolates caseiros por 3B$ e 2 pacotes de bolachas por 5B$ nas banquinhas das ruas, onde eu já tinha estado nos dias anteriores. Assim, poderia comê-los durante minha viagem a Uyuni ou mesmo quando chegasse lá.
Pouco mais de 17h e por ali mesmo, em um vendedor ambulante, resolvi comer 2 pedaços de pizza por 6B$.
17h30m e eu já estava na rodoviária aguardando pelo embarque que aconteceria às 19h.
Sinceramente estava adorando minha viagem. Tinha gostado de tudo até esse momento. La Paz apesar dos problemas, é uma cidade muito legal.
Chegado o horário, paguei 2B$ pela taxa de embarque e lá fui eu, me acomodar na poltrona de um ônibus razoável. Mais uma vez consegui viajar sem que ninguém sentasse ao meu lado. Sorte a minha, pois pude me ajeitar e logo consegui dormir.



Quarta-feira
A viagem até que tinha sido boa. Quando o dia começava a nascer eu acordei. Pude ver que estávamos numa região desértica. Assim seguiu-se por uma hora mais ou menos.
7h e chegávamos a Uyuni. A rodoviária era na rua. O dia começava a esquentar. Logo que desci me senti numa cidade do velho oeste americano. Tudo muito diferente. Muita poeira, poucos carros, alguns ônibus estacionados e eu, totalmente desorientado.
Logo, resolvi caminhar e tentar encontrar o centro dessa cidadezinha. Dali, iria procurar pela agência Blue Line, na Avenida Ferroviária, onde compraria meu passeio de 3 dias e 2 noites para o Salar Uyuni.
Não foi difícil achar. Lugar feio e de início, achei suspeito. Entrei e não gostei. Mas enquanto pensava se compraria o pacote ali ou não, outros turistas entraram e compraram. Daí, me animei e comprei. Acertei.

Eram 8h e o passeio só sairia as 10h30m, da frente da própria agência.
Bem, resolvi utilizar esse tempo para conhecer a pequena cidade. Escuela Mixta, Plaza Central, monumentos na Avenida Ferroviária e a própria ferroviária. Não há muito o que se conhecer ou lugares bonitos. E quanta poeira!
Como ainda me restava um tempo, decidi retornar a rodoviária e comprar minha passagem para Oruro por 50B$. Dentre algumas empresas, escolhi a que entendi ter um horário de partida legal e que parecia ser a melhor em matéria de qualidade e preços.
Enfim, 10h30m. O tour se iniciava em uma Hilux comigo, um Inglês e duas Australianas.
O jovem motorista Juan parecia ser um cara muito legal.
Todos os veículos saem praticamente no mesmo horário e no decorrer do caminho vão se juntando em comboio. Estava começando nossa viagem. Seria uma rotina de viajar um pouco, parar, viajar mais um pouco, parar novamente, ...

Saímos de Uyuni nesse dia ensolarado e seguimos para o Cementerio de Trenes, nos arrebaldes da própria cidade. Quando estávamos próximos, o nosso motorista lembrou que havia esquecido os documentos e retornamos para pegar. Tudo rapidinho e tranquilo.
Logo chegamos. Muitos trens abandonados ao ar livre, no deserto. Composições e mais composições, enferrujadas e faltando partes. Descemos para visitar e tirar fotos. Ficamos mais ou menos 30 minutos ali.
O Inglês conversou comigo. E quando disse que eu era brasileiro, adivinha? Ahhhhhhhhhh! Futebol! Para minha surpresa além de conhecer kaká, Ronaldinho e Ronaldo, queria falar sobre o Juninho Paulista. Isso mesmo, o Pentacampeão que tinha jogado na Inglaterra para o time que ele torcia. Ok, lá fui eu falar um pouco com ele desse jogador.
Seguimos então rumo ao salar. Mais uns 30 minutos e lá estávamos. Era sal pra todo lado. Super diferente. Adorei.

Seguimos mais um pouco e paramos em um hotel de sal para conhecer. Ficamos pouco tempo. Fomos então, para a Isla Del Pescado (foto), como se fosse uma ilha com cactus cravada no meio do salar. Lugar muito legal.
 
Aqui me aconteceu algo desagradável: a tampa do meu cantil quebrou e vazou bastante água. Ihhh? E agora? Sem água em pleno deserto?
Pois é, como estava sem tampa, bebi o restante da água. Mas ali nesse local tem uma lojinha que, inclusive, vende garrafinhas de água. Não teve jeito e fui obrigado a comprar uma dessas garrafinhas por 2,5B$ (o que é caro para os padrões da Bolívia) para poder passar à tarde. Minha esperança é que conseguisse água no hotel à noite.
12h30m passadas e seria ali nosso almoço. Enquanto visitávamos a ilha, nosso motorista/ guia ficou preparando o almoço no estacionamento dos veículos. Nesse local praticamente todos os veículos já tinham se unido.
Almoço delicioso: quinua, carne de lhama e salada de tomate, com direito a Coca Cola e melancia de sobremesa. Bem, como minha água era racionada, resolvi beber bastante Coca Cola, o que teoricamente iria garantir um tempo maior sem sede.
14h e iríamos seguir adiante. Porém nesse ponto o turista Inglês embarcaria em outro veículo que o conduziria de volta a Uyuni, já que o passeio dele contemplava a ida somente até ali.

Rodamos mais um pouco e logo embarcaram conosco, uma Australiana, um Australiano e uma Japonesa que estava morando no México. Continuamos agora praticamente direto até o hotel de sal onde iríamos pernoitar. Chegamos mais ou menos 18h. Após nos ajeitarmos em um grande quarto coletivo e sem banheiro, resolvi tomar banho. Para isso tive que pagar 10B$.
O hotel é todo feito de sal: paredes, o piso que é como se fosse areia, mas é sal, os móveis, ...Só o teto que era de telha normal.
A essa altura já estava conversando mais com a japonesinha, que era professora de Japonês no México. Claro, ela falava Espanhol.
Tanto quanto eu, ela também não tinha gostado do Australiano. Como ela me ensinou, ele era “creído” (metido) e contador de vantagens.
Jantamos comida semelhante a do almoço e logo fui dormir, devido ao cansaço e a energia elétrica que é controlada somente até as 20h.




Quinta-feira
Véspera de Natal. Tinha chovido durante a noite e pouco antes de amanhecer. Acordei e sai do hotel para ver o que existia nas redondezas. Praticamente nada. Vi lhamas muito distantes e, deserto para todo lado.
Depois de um bom e reforçado café da manhã, ajeitamos nossas mochilas na Hilux e lá pelas 9h demos sequência a nossa viagem.
Nossa primeira parada, isso já em comboio, foi numa pequena vila, com várias lojinhas. Seguimos. Deserto lindo e maravilhoso. Com direito a várias paradas para fotos. E fomos seguindo, em meio à poeira sem fim e sol forte. Sorte que estávamos a bordo de um belo veículo com ar condicionado.
A parada agora foi na Laguna Serena, com seus inúmeros flamingos. Uau! Que lugar lindo.
E foi nesse local que almoçamos, já que era aproximadamente 12h. Novamente um almoço muito bom, composto de macarrão, salada mista de cenoura, tomate e vagem, batata e carne de lhama. Coca Cola e de sobremesa, abacaxi.
13h ou 13h30m, o tempo mudando para nublado com possibilidade de chuva e continuamos, agora rumo a Laguna Blanca. Mais um tempo percorrendo o deserto e chegamos. E novamente, lugar magnífico.
E não é que o tempo mudou mesmo. Até começou a esfriar.
Agora rumamos para o Valle de Rocas, com lindas formações rochosas. Por fim foi a vez da Laguna Colorada (foto).  Lugares fantásticos. Adorei todos.




Final da tarde e só nos restava irmos para nosso local de pernoite. Logo chegamos. Um hotel com uns 3 quartos e nos colocaram todos no mesmo. O banheiro era bem ruim e coletivo. Somente nós estávamos hospedados. Mas existiam outros hotéis junto a este onde tinha muita gente hospedada. Parecia um vilarejo.
Eis que aqui não havia energia elétrica e nem chuveiro. Que jóia. Depois de um dia tão cansativo e empoeirado, nada de banho?
O jeito era improvisar. No banheiro, me lavei na torneira mesmo. Detalhe é que estava muito frio e claro, a água me fazia tremer por inteiro.
Feito isso, fui ajeitar as coisas da mochila e jantar (semelhante ao almoço).
O pessoal da Austrália resolveu ir até o hotel do lado e conversar com uma turma. Por lá ficaram um tempo e retornaram com duas garrafas de vinho. Eu já pensava em ir dormir, mas acabei tomando um pouquinho de vinho e ainda conversei um pouco com todos. Viva o Natal!




  
Sexta-feira
Ainda estava escuro quando fomos acordados pelo Juan, nosso motorista/ guia. Não mais que 4h. E pouco depois desse horário, sem termos tomado café da manhã, lá íamos nós em direção aos Geisers (foto). 

Para que se possa aproveitar, é preciso chegar bem cedo, com o nascer do dia.
E foi o que aconteceu. O dia estava nascendo e lá estávamos nesse lugar totalmente diferente. E que lugar! É magnífico! Jatos de vapor quente saindo do interior da terra. Estava muito frio. Aquele cheirinho de enxofre no ar. Muita água misturada a produtos químicos oriundos da própria terra formando muitas poças e pequenos bolsões. Olha, é realmente uma cena maravilhosa.
No local já tinham muitos turistas e outros tantos chegavam. Como todos andam em comboios, é praticamente assim. Uns chegam antes, outros depois. Mas todos vão para os mesmos lugares.
Por ali ficamos até aproximadamente 6h e fomos para as Termas. Uns 40 minutos de percurso e chegávamos ao local. Que lugar!
A temperatura continuava muito baixa. Todos muito bem agasalhados e turistas na piscina natural de água quente.
Claro, não tive dúvida: também fui me deliciar nas águas quentinhas dessa piscina. Sensacional!

8h30m e lá estava Juan a nos convidar para o café da manhã, dentro da pousada que ali existia.
Uau! Sair daquela água quentinha e encarar o frio? Mas a fome era enorme e também precisávamos depois, seguir caminho.
O café da manhã foi delicioso: iogurte, pão, cereal, leite, geléias, achocolatado e café. Muita fartura. Comi bastante.
O dia estava nublado. Seguimos pelo deserto para a Laguna Verde e Vulcão Licancabur, numa viagem de aproximadamente 1h. Nesse local ficamos mais uns 30 minutos. Dali fomos até a fronteira com o Chile em uma viagem de mais 1h. Esse seria o ponto final para duas Australianas que seguiriam para o deserto do Atacama e outros lugares nesse país. Despedida rápida e lá íamos em nosso caminho de volta a Uyuni.
Viagem longa com o deserto como paisagem. Lindo. As vezes o sol “dava às caras”, mas por pouco tempo.

Às 13h paramos em um pequeno vilarejo para almoçar. Isso aconteceu em um restaurante.
Tive tempo após o almoço para caminhar pelo vilarejo e lá pelas 14h, continuamos nossa jornada.
15h30m mais ou menos e demos uma rápida parada em um local com muitas formações rochosas. Interessante.
Passavam das 16h30m e começou a chover. A estrada ficou bem ruim de se transitar. Velocidade reduzida.
Chegamos em Uyuni logo depois das 18h30m. Paguei a propina (caixinha/ gorjeta) ao Juan de 20B$ cada um de nós. Ainda caia uma chuva bem fraca. O Australiano, para  minha sorte, se despediu e seguiu para um hotel, pois ficaria mais tempo ali na cidade. A Australiana também se despediu e foi correndo para a rodoviária, pois o ônibus dela (não me lembro para onde) saia às 19h. Eu e a japonesinha  tratamos de achar um restaurante para jantar, pois a fome era grande. Paguei pela minha janta 10B$.
Depois fomos para a rodoviária. Lá nos despedimos e embarquei num ônibus bem ruim, sem banheiro às 21h, para Oruro. Aqui se iniciava uma viagem terrível.




Sábado
A chuva nos acompanhava durante o percurso. Estrada horrível e muito barulho no ônibus. Mas consegui dormir. Mais ou menos 2 h de viagem. Estrada de terra e eis que surgiu o grande obstáculo: a estrada era só lama e o ônibus não tinha como prosseguir.
Vários ônibus, caminhões e carros parados sem ter como prosseguir. A chuva que caia. Nossa, e agora? Pois é: ônibus lotado, sem banheiro e ali estávamos parados sabe-se lá até quando.
Desespero, tristeza, ... Mas não tinha jeito: tive que me acalmar e tentar relaxar. Tentei dormir novamente e até que consegui cochilar um pouco. Acordei e precisava do banheiro. Conversei com o motorista que abriu a porta e ali mesmo, para fora do ônibus, urinei. Retornei para minha poltrona e daí foi um tal de cochilar e acordar que parecia não ter fim. Eis que lá pelas 2h o motorista ligou o ônibus. Opa, iríamos seguir caminho. Mas ainda demorou uns 30 minutos. Depois, fomos. Devagar até, mais fomos sem parar.

Consegui dormir mais um pouco. Já estava clareando quando acordei e não consegui dormir mais. Estava cansado, com fome e sabia que em breve precisaria de um banheiro novamente. Será que estávamos próximos de Oruro?
O ônibus agora percorria uma estrada asfaltada. Imaginava que ao amanhecer do dia chegaria ao meu destino, mas isso não aconteceu.
Viaja, viaja, viaja e nada de chegar. Novamente fiquei preocupado.
9h e nada de chegar a Oruro. E assim foi por mais 1h.
Enfim, Oruro. O ônibus foi entrando na cidade feia e parou em uma avenida ao lado da rodoviária. Desci e fui diretamente para a rodoviária. Ali a primeira coisa que fiz foi ir ao banheiro. Paguei 1B$. Bem pago, já que precisava bastante.

Daí fui comprar minha passagem para Cochabamba. Pesquisei bastante e os preços das passagens eram praticamente idênticos. Em um dos guichês, pechinchei mas não obtive sucesso. Paguei 25B$ pela passagem e 1,5B$ pela taxa de embarque. O ônibus sairia as 10h30m.
Embarquei num ônibus legal, sem banheiro novamente. Nesse país isso me parece normal: falta de banheiro nos ônibus, mesmo para viagens de longa distância.
Como sempre tive sorte e consegui viajar sem ninguém ao meu lado.
Antes mesmo de partir um Alemão que também estava sentado sozinho na poltrona da frente puxou papo comigo. Falava Inglês. Me contou sobre viagens que havia feito, esta que estava fazendo, falou sobre o seu trabalho e outras coisas. Infelizmente eu estava muito cansado e não prolonguei por muito tempo a conversa.
A viagem iria durar aproximadamente 3h30m. Como estava com fome, resolvi comer chocolate que havia comprado ainda em La Paz. É a idéia não foi boa! Isso não fez bem para meu estômago. Passei mal por um bom tempo na viagem.
Com isso não consegui dormir e pude observar a paisagem. Era um dia nublado.

Às 14h chegamos a Cochabamba, que já notei ser uma grande cidade. Eu já estava bem melhor. Desembarquei na rodoviária e tratei de almoçar por ali mesmo. Arroz, carne e batata frita por 12B$.
Agora sim, bem alimentado recuperei 100% das minhas forças.
Nas imediações da própria rodoviária procurei por hotel. Tem vários por ali.
15h30m e já estava hospedado em um desses hotéis (Avenida Aroma), num quarto individual sem TV, sem café da manhã e com banheiro coletivo, onde paguei 25B$ pelo pernoite.
Depois de colocar minha grande mochila no quarto, fui até a recepção e peguei um mapinha da cidade. Depois de algumas informações, sai e peguei um táxi por 5B$ para o teleférico.
Rapidinho cheguei. Tem um pequeno parque onde se pega o teleférico que conduz ao alto do morro onde tem a grande estátua de Cristo. Comprei o tíquete ida e volta por 6B$. Muitas pessoas sobem a pé. Daí fui para a fila de embarque que não era pequena.
Era mais ou menos 16h30m quando fiz esse percurso de subida.
Pronto! Tinha chegado ao ponto turístico mais alto dessa parte da cidade. Vista maravilhosa (foto). Estadium Capriles, o aeroporto, Laguna Alalay, ...



 O tempo de ensolarado rapidamente passou a nublado e começou a chover, bem fraquinho.
Nisso já passava das 17h e também era hora de eu fazer o caminho contrário. E lá fui eu enfrentar a fila de embarque.
18h e iniciei minha caminhada de volta ao hotel. Sim, resolvi, já que tinha um mapinha nas mãos e perceber que a distância percorrida pelo taxi não ser tão grande, caminhar de volta. Assim poderia conhecer melhor a cidade.
Assim fiz e a noite foi chegando. Já no hotel, tomei banho, arrumei minhas coisas e fui dormir. Afinal, o cansaço era grande.




Domingo
Como de costume acordei cedo e já sai. Pensava em comer em alguma das banquinhas de rua (que tem muitas), mas acabei indo tomar meu café da manhã na rodoviária. Lugar melhor, mais higiênico e confortável.
Feito isso, aproximadamente 8h e lá ia eu em minha caminha para conhecer o que conseguisse dessa cidade, nesse dia ensolarado.
Segui pela Avenida Ayacucho, tirei fotos da Iglesia Bautista, Mercantil Santa Cruz e fui para a linda Plaza 14 de Septiembre. Por ali fiquei um pouco sentado num banco e planejando qual seria meu destino depois.
Segui passeando. Avenida de lãs Heroínas, atravessei a Puente Quillacollo sobre o Rio Rocha, tirei algumas fotos e comecei a retornar. Por ali vi monumentos, segui até um grande ginásio de esportes na beira do rio e fui em direção ao Coliseo de La Coronilla, ... Cidade bonita!
Já se aproximava das 10h e retornei ao hotel, pois deveria fazer o “check out”.
Rapidamente tomei banho, peguei minhas coisas e parti.
Percebi novamente que conseguiria ir caminhando para o aeroporto. Mas antes passei pela rodoviária para comer um lanche por 7B$ e por também resolvi gastar algumas últimas moedas que ainda tinha. Comprei 2 pacotes de deliciosas bolachas por 12B$.
Agora só me restava ir em direção ao aeroporto, pois minha grande viagem estava realmente chegando ao fim.

10h30m e caminhei por aproximadamente 1h. Cansei bastante, pois além do sol castigar um pouco, o peso da mochila tornava tudo mais difícil.
Eis que as 12h mais ou menos cheguei. Fiz o “check in”, paguei US$25 de taxa de embarque.
Enquanto aguardava pelo embarque, choveu bastante. Mas para minha sorte, na hora do meu embarque tudo deu certo. Da sala de espera até o avião o percurso foi feito a pé.
As 13h25m embarquei com destino a SP, mas com escala em Santa Cruz de La Sierra.
Tudo maravilhoso.
15h30m ou 16h e lá estávamos pousando em Santa Cruz de La Sierra. Demorou um pouco para decolarmos novamente.
E lá fomos nós. Tranquilidade. Vôo cheio, até.
Final da tarde e lá veio o jantar. Beleza.
Tempo ruim e muita turbulência. Turbulência? É, e muita. O avião perdeu altura num “tranco” violento, chacoalhou bastante. Para minha surpresa, fomos avisados que estávamos desviando nossa rota por problemas de tráfego aéreo em Guarulhos e, pousaríamos em Asuncion/ Paraguai.
Estranho pousarmos tão longe de SP. E olha que eu não fui o único a estranhar. Muitos não gostaram e reclamaram. Mas enfim, ...

18h aproximadamente, já em terra, nos mantiveram no avião. Muita demora, todos impacientes, muitas reclamações, nada de explicações, ...
De repente, observamos que estavam fazendo manutenção em uma das turbinas do avião (foto).  



 Problemas de tráfego em Guarulhos nada! O Problema era na turbina do avião.
Depois de muito tempo, já de noite, mais ou menos 20h, deixaram que desembarcássemos. Nos mantiveram daí, em uma sala de espera de embarque do aeroporto. Nada de água ou algo para comer.
O tempo passando e muitos passageiros nervosos. Alguns se reuniram e foram pedir explicações à TAM. Nos serviram água e sucos.
Depois de muito bate boca, vieram até a gente e confirmaram o problema no avião. Disseram ainda que iríamos aguardar o reparo, já que não tinha outra aeronave para substituição.
Nossa. Até quando ficaria ali? E o tempo passando.




Segunda-feira
Já passava da meia noite quando nos liberaram para embarque no avião “consertado”. Vixe! Espero que sim!
Embarcamos temerosos e tudo correu bem no decorrer da viagem.
Desembarquei em SP por volta de 3h, passei pelo “Duty Free” e fui tentar comprar minha passagem de ônibus para Campinas. Ah! O guichê só abriria às 6h e o ônibus sairia somente 6h45m.
Fazer o que, não é? Esperar! Tentar cochilar.
Bem, 6h, comprei minha passagem por US$ 20.00 e aguardei o horário do embarque.
No horário, embarquei.
Cheguei à rodoviária de Campinas 9h, peguei um ônibus coletivo e fui para casa, onde cheguei 9h35m.
Viagem longa, dificuldades diversas nos países que visitei, situações inesperadas, muita experiência adquirida, lugares maravilhosos visitados, avião que quase caiu, ...
Nossa! Quanta coisa. Mas sem dúvida nenhuma posso encerrar aqui dizendo que essa foi uma viagem maravilhosa! Adorei tudo!

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